Foi um rio que passou em minha vida

outubro 1, 2009

1106205_London_River

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

A chuva deu uma trégua nesta quinta-feira e o Festival do Rio caminha para sua segunda semana. Comecei o dia numa sessão exclusiva para jornalistas, assistindo A próxima estação, do argentino Fernando Solonas, filme-documentário sobre o sistema ferroviário argentino – com direito a samba da Gaviões da Fiel.

É isso aí, você não leu errado! Toca um samba da Gaviões e rola um ‘salve o Corinthians!’ no final do filme. Se você é são paulino ou flamenguista, não vai gostar nem um pouco.

Na sequência vi Jericó, filme do alemão Christian Petzold baseado no livro O destino bate à sua portas, do escritor James M. Cain. Lembro da primeira versão, americana, de 1981, com Jack Nicholson e Jessica Lange em ousadas cenas na cozinha.  Bem mais hard.  Os alemães suavizaram a história.

Após ser desonrosamente dispensado de seu serviço no Afeganistão, o soldado Tomas volta a Jerichow, vilarejo no norte da Alemanha, e consegue emprego com o dono de uma rede de lanchonetes, o turco Ali. Rude e de atitudes suspeitas, o comerciante é casado com Laura, alemã jovem e atraente.

Ao saber que Laura sofre abusos do marido, Tomas decide que deve tomar uma atitude e inicia um plano e um romance proibido. É bacana, assisti sem sofrimento, mas falta uma certa ‘pegada’ ao casal protagonista. Coisa que Jack & Jessica tinham no filme americano.

Por último acompanhei a primeira exibição do excelente London River, co-produção franco-inglesa dirigida pelo argelino Rachid Bouchareb. O filme é daqueles que a história é simples, mas ganha vida graças à atuação dos atores. Sotigui Kouyaté, ator do Mali, e a estupenda atriz inglesa Brenda Blethyn dão um show, daqueles de fazer você ficar de queixo caído na sala de cinema.

Blethyn interpreta a mãe que sai do vilarejo onde vive para procurar a filha em Londres. É o dia do ataque terrorista ao ônibus que marcou o ano de 2005. Preocupada, a mãe não consegue achar a filha pelo telefone. Na capital, distribui panfletos, visita hospitais e acaba por esbarrar no africano muçulmano (Sotigui Kouyaté) que faz o mesmo em relação ao seu filho. Uma coincidência os aproxima, não sem antes a mãe provar de sua intolerância em relação ao pai do jovem.

A fita aborda temas delicados como respeito e tolerância à religiões e costumes, e seria mais uma na multidão se não fosse a força da interpretação dos protagonistas. Por mim Brenda já é candidata ao Oscar. Visceral, ela vai do desespero ao desprezo com rara desenvoltura. E Kouyaté (melhor ator este ano em Berlim) consegue fazer de forma marcante um personagem contido, com olhar tão forte que parece sempre ter uma lágrima a derramar. Emocionante.

Como é bom sair do cinema com esta sensação única, de ter visto algo realmente enriquecedor. E melhor ainda é ver que grandes atores transformam um filme que tinha tudo para ser mediano numa agradável surpresa.

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2 Respostas to “Foi um rio que passou em minha vida”

  1. Cassiano said

    Querida Jana, saudades de você. Gostei bastante do blog, como sempre muito bem escrito. Você e Jay poderiam se juntar em sociedade para abordar o cinema e oferecer opções diferentes ao internauta.
    Um beijo.

  2. Cinemmarte said

    […] – A próxima estação – mestre Solanas faz um documentário histórico sobre a privatização do sistema ferroviário […]

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