Enfim, Almodóvar

outubro 1, 2009

 

almodovar-beija-cruz-01g

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

A quarta-feira foi cheia de surpresas no Festival do Rio. Pelo menos para mim. Era o dia que mais esperei, afinal, ia ver Almodóvar. Mas, antes do meu cineasta preferido, vi Como desenhar círculos perfeitos, um filme português muito, muito ruim. Odiei. A história era pesada – irmão apaixonado por irmã – mas até aí, eu já sabia que ia rolar um clima tenso. Só que a narrativa lenta, devagar quase parando, faz o filme ser um tédio.

Imaginem um filme que começa com uma cena de quase 10 minutos de dois irmãos aprendendo a beijar no espelho. Precisa ser uma cena tão longa assim?  E que tal o irmão vendo a irmã com um cara e tendo uma crise: ele sai correndo pela rua, na chuva, e corre, corre, corre por uns cinco minutos. Para que tudo isso? A cena do incesto, então, nem se fala. Durou quase 15 minutos. Um exagero. No cinema, como na vida, menos é mais. Mas não posso reclamar: foi meu primeiro filme realmente ruim neste Festival.

Na sequência vi Distante nós vamos, do Sam Mendes. Filme legal, sem grandes pretensões, mostrando Mendes com sua hsitória de praxe – o casal americano de classe média – mas em versão doce. Bacana ele estar se reiventando. Mas nada se compara ao susto que levei ao ver Abraços Partidos, novo longa de Pedro Almodóvar estrelado pela musa Penélope Cruz (foto da dupla no lançamento em Festival de Cannes).

O diretor continua com seu jeitinho especial de ver o mundo e, especialmente, as mulheres. Mas algo mudou em Almodóvar. Está mais maduro, sereno, cicatrizando feridas sem tratar de assuntos polêmicos com  sua habitual delicadeza. Fiquei chocada, quando o filme acabou me senti vazia, tentando entender porque a cena que eu jurava que ia acontecer… não aconteceu.

E Penélope Cruz? Os meninos que me perdoem, mas eu acho a atriz com cara de fiunha. Porém, tenho que admitir, é incrível como Almodóvar a transforma. Pelas lentes do diretor, ela vira mulherão, linda, absoluta, grandiosa. Penélope está deslumbrante. Sua personagem é fascinante e, tá, vou admitir, eu também queria ser uma personagem de Almodóvar: mulheres apaixonantes e apaixonadas.

Este Festival está marcado por grandes diretores mudando o rumo de suas carreiras, fazendo coisas diferentes sem deixar a essência que os marcou de lado. Almodóvar, mais uma vez, é um exemplo que a gente pode continuar sendo sempre o mesmo, mas acrescentando um olhar novo para a vida.

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