(30) minutos com Marc Webb

setembro 30, 2009

marc webb 2

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Debaixo de chuva, cheguei ao Leme Palace Hotel e encontrei o cineasta Marc Webb de jeans, tênis e pullover, sentado no bistrô do hotel tomando um cafezinho. Muito jovem e sem o menor jeito para estrela, ele teve dificuldade para falar meu nome mas muita desenvoltura para falar sobre seu filme, (500) dias com ela, a simpática comédia em que o mocinho se apaixona pela mocinha, e ela dá bola para o mocinho mas… não está apaixonada.

Subvertendo a tradicional história de amor que o cinema adora contar, Webb, 35 anos, cativou o público e a crítica no Sundance e chega como um dos nomes mais quentes do Festival do Rio. Como o filme tem um jeitinho de autobigroafia, graças aos roteiro que imprime diálogos verossímeis, perguntei logo a opinião do diretor sobre o tema de sua produção. Diferente da mocinha da trama, Summer, o cineasta acredita no amor.

“Pode não existir da maneira idealizada, pode não ser do jeito que sonhamos, mas sim, eu acredito no amor”, afirma.

Idealizar, aliás, não foi o que ele fez em seu primeiro longa. Webb optou por uma história bem real, com personagens totalmente verdadeiros em seus sentimentos e propósitos.

“Pode-se mexer aqui e ali, tornar umas coisas mais fantasiosas, mas os personagens são baseados em pessoas reais. A cena do elevador, por exemplo, é real, aconteceu exatamente daquela forma.”

A trilha sonora, ponto alto do filme, é fundamental em sua obra. Ele acha que só consegue passar a emoção do personagem e o que é apropriado para ele com uma boa canção ao fundo. “As músicas estão ali para mostrar a alma do persoangem, o que ele sente. Em alguns casos, nem preciso de diálogo, a letra da música já fala por si só”, analisa.

Sobre o sucesso de seu primeiro trabalho no cinema, o cineasta é taxativo: o público quer coisas novas, e esta é sua proposta. “Não fiz nada de revolucionário, apenas contei a mesma história sob um outro ponto de vista, talvez uma visão mais real dos fatos. As pessoas mudaram e há um público que está sedento por novidades e formatos ousados de filmes. Em (500) dias com ela não há clichê, e fugir do clichê agrada a essas pessoas que pensam e agem diferente.”

À noite, na primeira sessão de (500) dias com ela para o público carioca, Webb esteve presente com o mesmo jeito despojado, longe de parecer um cineasta já tão requisitado. Ele apresentou, com simpatia e carinho, seu filme à plateia do Festival do Rio, porém, não permanceu até o fim para ouvir os aplausos calorosos após a exibição do longa. Aplausos que confirmam o que ele me disse na tarde desta terça – o público quer novos tipos de filmes.

Aliás, ao final da entrevista, ele me perguntou o que significava a tatuagem no meu braço – Maktub. Expliquei que é um provérbio árabe, que quer dizer ‘está escrito’. Porque os árabes não acreditam em acaso nem em coincidência. Curiosamente, nas últimas cenas de (500) dias com ela, se fala justamente disso: não há coincidência, as coisas acontecem como tem que ser.

Concordo plenamente com este pensamento. E não é por acaso que Marc Webb se tornou uma das figuras mais queridas deste Festival. E, assim como o protagonista  de seu filme, é também um amor de pessoa.

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5 Respostas to “(30) minutos com Marc Webb”

  1. Mariana Marques said

    acompanhando (de longe) as novidades do Festival… adorei a matéria e fiquei morrendo de vontade de ver o filme! beijokas paulistanas

  2. Que delícia de matéria. Nem preciso dizer que está no meu caderninho de filmes obrigatórios para serem vistos. Bjs

  3. Bruno Uehara said

    Adorei a matéria, Jana!
    A sua cobertura do Festival do Rio tá muito boa.
    Me segurei pra não ler a sua crítica do filme.
    Prefiro resistir pra não ficar com nenhuma expectativa.

    E, já que vc virou amiga íntima do Marc, pede pra ele dar uma passadinha aqui em Sampa tb. Avisa ele que tb tem a Mostra. 😉

    Cuide bem das olheiras! hahahaha

    Beijos.

  4. Camila Santos said

    Quero ver o filme. Eu também acredito no amor, rs

  5. […] é o primeiro longa de Marc Webb, conhecido diretor de videoclips, que conquistou público e crítica no Sundance, passou pelo […]

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