O sequestro do metrô 1 2 3

setembro 4, 2009

taking_of_pelham

por Janaina Pereira

Denzel Washington precisa urgentemente de um bom roteiro. O ator, que viveu grandes momentos nos anos 1990 com personagens como o advogado homófobico em Filadélfia (1993) e o pugilista controverso Hurricane (1999), anda repetitivo demais. Todo mundo agora acha que Washington é o grande herói americano, e ele aceitou isso sem questionar. É sempre a mesma coisa: lá vem Denzel Washington salvar o dia. Não é diferente em O sequestro do metrô 1 2 3, de Tony Scott, que estreia hoje.  O longa ainda traz outro bom ator, John Travolta, no mesmo papel que Hollywood determinou para ele: o de vilão lunático.

O roteiro parece clichê, mas lá pelas tantas percebe-se que não é. Tony Scott aproveita o mesmo livro que já servira de base para um filme de Joseph Sargent em 1974 – The Taking of Pelham 1 2 3, com Walter Matthau e Robert Shaw. Na trama, Shaw lidera um bando que ocupa uma estação do metrô de Nova York e ameaça matar os reféns se não receber o resgate de US$ 1 milhão em uma hora. Na nova versão, Travolta é o sequestrador insano e o resgate é de US$ 10 milhões. Ele também ameaça matar um refém por minuto, após uma hora. Denzel Washington faz o cara que controla a circulação de trens e tenta negociar uma saída feliz para todos.

O legal do roteiro é que o herói, na verdade, é um executivo que foi rebaixado sob suspeita de haver recebido suborno dos japoneses numa licitação de vagões do metrô. E o vilão também não é óbvio: ex-corretor da Bolsa, ele é um especulador que está usando o sequestro no metrô com outras intenções além do dinheiro ganho com o resgate. Interessante e nada previsível se não fosse a escalação dos atores.

Não que Washington e Travolta estejam ruins, nada disso. Os dois são bons, sabem o que fazer e dão credibilidade aos personagens. O problema é que eles, ultimamente, fazem sempre o mesmo papel. Talvez se as posições fossem invertidas – Washington como vilão (e ele é bom nisso, basta lembrar de Dia de treinamento, que lhe rendeu um Oscar) e Travolta como mocinho – o resultado seria bem mais satisfatório. Os ótimos John Turturro e James Gandolfini também aparecem em papéis secundários e repetitivos, não tendo o aproveitamento que merecem.

O sequestro do metrô 1 2 3 tem ainda a narrativa característica de Scott, com cenas estilizadas e barulhentas como um grande videoclip. E, no final apoteótico, o diretor de Top Gun faz o que mais gosta: aposta na redenção do herói. Aí está o porquê da escalação de Washington, que pela quarta vez trabalha com Tony Scott – o ator é o típico cidadão americano que se redime no final. O verdadeiro herói. Pena para ele, que merece filmes melhores.

O Sequestro do Metrô 1 2 3
Taking of Pelham 1 2 3
EUA, 2009 – 121 min
Aventura / Ação
Direção: Tony Scott
Roteiro: Brian Helgeland
Elenco: Denzel Washington, John Travolta, John Turturro, Luis Guzman, Michael Rispoli, James Gandolfini, Ramon Rodriguez

Assista ao trailer de O sequestro do metrô 1 2 3.

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