Bruno

agosto 14, 2009

bruno1

por Fábio Camargo

Hoje estreia mais uma pérola cinematográfica de Sacha Baron Cohen, Bruno – com trema no título original. Antes de qualquer coisa, tristeza senti ao descobrir que o filme será exibido no Brasil com cenas cortada.

Aliás, cabe uma breve citação. Censurar filmes como esse é o maior tiro no pé. Quem assiste Borat, Bruno e outras produções assim, vai porque gosta justamente dessas loucuras, de coisas insanas que só um Sacha Baron Cohen da vida teria peito, coragem e destreza suficiente para fazer em um longa metragem. Afinal, não é qualquer filme de comédia que faz com que as pessoas fiquem rindo absurdamente durante a sessão. E duvido que aconteça nos cinemas comuns o mesmo que eu presenciei na exibição sem cortes de Bruno à imprensa. Porque sim, a melhor cena do filme foi censurada. Quero ver reclamarem, depois, que as pessoas baixam filmes pela internet…

Três anos atrás, assisti Borat. À época, não conhecia tanto sobre o Sacha Baron quanto hoje. Não que tenha mudado muito de lá prá cá, talvez eu saiba menos ainda! Trabalhava em uma produtora e, com o trailer de Borat, o pessoal logo correu atrás e descobriu vídeos dos outros personagens do ator inglês, Ali G e Bruno, tão geniais quanto o repórter do Cazaquistão. E, agora, Bruno também virou filme.

Com o mesmo tom politicamente incorreto de todos os seus personagens, Cohen conta a história do segundo austríaco mais famoso do mundo [só perdendo pro Hitler], Bruno. O filme mostra como o preconceito cresce desenfreadamente, seja contra gays, negros, brancos, seja por parte dos estadunidenses, dentro de seu território, contra o resto do mundo ali presente, seja contra uma pessoa que apenas almeja a fama – abusadamente a qualquer custo.

Bruno apresenta um programa de moda na tv austríaca e é demitido após cometer algumas gafes. Sem emprego e proibido de prestigiar os eventos, decide buscar a fama nos EUA. Para conquistá-la, resolve chamar a atenção de todas as maneiras, seja aparecendo com uma criança negra adotada em um programa de tv sensacionalista [à lá Márcia Goldschmidt], tentando seduzir um político gay, e até pedindo a um terrorista saudita para que farse um seqüestro seu. Tudo isso fora o baile, senão perde a graça se eu contar tudo, né?

Apesar de muita gente querer ser do contra e dizer que o filme é sem graça, que não gostou do trailer, que achou muito bobo e mimimi, eu não caio nessa. E vos digo: não caiam nessa, também! Além de criticar as pessoas que fazem de tudo [tudo mesmo!] para se tornarem falsamente famosas – com um primor de humor, diga-se de passagem -, Sacha Baron Cohen mostra como o ser humano é estupidamente preconceituoso, não importa com quem, como, quando, onde ou por quê. Enfia a faca no estômago e prova que há muito ainda a se aprender.

Bruno é genialmente engraçado? Sim! É bom dar risada? É, e muito! Mas, se parar para refletir sobre a história, bem lá no fundo, uma luz vai acender e você vai se indagar: poxa, senti pena dos percalços que o cara passa no filme, rachei o bico, mas continuo me deparando com essas situações no dia-a-dia e, mesmo assim, não faço nada para evitar?

É para se pensar. Então assista o filme, dê muita risada – até a barriga doer – e depois volte aqui para me dizer o que achou e, acima de tudo, o que você pretende fazer [se é que vai] na próxima vez que presenciar uma cena de ridicularização contra alguém que simplesmente está querendo ser feliz consigo mesma!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: