Bem-vindo

julho 8, 2009

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Por Janaina Pereira

Alguns filmes conseguem nos tocar tão profundamente que fica impossível sair ileso ao final de uma sessão. Foi esta a sensação que tive ao assistir Bem-vindo, de Phillippe Lioret, que estreia em grande circuito nesta sexta, dia 10. O filme é daquelas obras que te arrastam para um mundo que não é seu, obrigando o espectador a compartilhar de tudo o que acontece – e você se comove e torce tanto pelos personagens que parece viver a vida deles.

Tratando de um tema contemporâneo que, a cada dia, se torna o ‘calcanhar de Aquiles’ dos franceses, Bem-vindo é um espelho da França atual, país que renega sua multiculturalidade, e abomina seus imigrantes. Embora seja ficcional, foi inspirado em pessoas e acontecimentos reais, e conta com um não-ator como protagonista – o surpreendente Firat Ayverdi.

A trama mostra o adolescente Bilal (Ayverdi), de apenas 17 anos, chegando à França após três meses de caminhada. Ele é um jovem iraquiano curdo, que saiu de seu país com o objetivo de rever a namorada, que agora mora com a família na Inglaterra. Bilal acredita que será fácil ir da França a Inglaterra, mas esbarra com a política – e a polícia – do país, que impede de forma contundente os imigrantes de atravessarem a fronteira.

Disposto a reencontrar a amada, ele começa a ter aulas de natação com Simon (Vincent Lindon), um homem amargurado desde o fim do seu casamento, e que nunca deu muita atenção ao que acontecia a sua volta. Entre os dois se estabelece uma amizade que trará mudanças em suas vidas. Enquanto Bilal insiste em atravessar o Canal da Mancha a nado para chegar à Inglaterra, ele conquista Simon, que repensa suas atitudes a partir da relação com o menino.

O filme toca fundo em questões que já estamos acostumados, mas nos recusamos a discutir – a discriminação, a falta de oportunidades, o individualismo e nossa mania de olharmos para o outro lado quando vemos o sofrimento do próximo. A cada cena somos expostos às nossas próprias feridas, mesmo observando um mundo amargo aparentemente distante da nossa realidade.

Bem-vindo conquista pelo roteiro altamente realista aliado à direção de Lioret, que explora ao máximo as atuações viscerais de Lindon e Ayverdi. É um filme triste, que apresenta a crueldade do ser humano sem dó nem piedade. Um soco no estômago dos egoístas e preconceituosos, que faz a gente se sentir um grão de areia quando termina a projeção. Para ver e refletir sobre nós mesmos  e o mundo individualista em que vivemos.

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