Rude e Brega

julho 6, 2009

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Por Janaina Pereira

Mesmo quem não gosta de futebol sabe como este esporte tem diversos clichês. Estamos cansados de ver, todos os dias, as mesmas histórias: jogador em ascensão ganha dinheiro facilmente – e perde também; mulheres se aproveitam da fama e da fortuna dos craques e são denominadas ‘marias chuteiras’; acusações de roubo, intriga, violência, jogo comprado. Tudo isso faz parte do mundo da bola, tão fascinante quanto corruptível. Este é o foco de Rude e Brega (Rudo Y Cursin), filme do mexicano Carlos Cuarón, uma das principais atrações do 4º Festival de Cinema Latino-Americano, que começa nesta segunda, dia 6, em São Paulo.

Para muitos, o filme pode ser previsível. Mas acho que a graça está, justamente, em mostrar os fatos como eles são, em fazer com que não tenhamos surpresas do que começo ao fim. Rude e Brega é a história de dois irmãos que jogam futebol no campo de várzea de sua pequena cidade. Um deles é apelidado de Rude (Diego Luna), e leva muito a sério sua posição de goleiro, apesar de trabalhar nas plantações para sustentar a família. No entanto, é seu irmão mais novo (Gael Garcia Bernal), que deseja ser cantor, quem consegue uma vaga num time expressivo e muda de cidade – e de vida.

Logo ele vira Brega, a sensação dos campos. Ganha dinheiro, conquista a estrela de televisão do momento, compra carros, acumula gols e conquista até uma posição na seleção mexicana. Na esteira do sucesso do irmão, Rude também consegue um lugar num time de futebol, e logo se torna o goleiro menos vazado do campeonato.

Enquanto Brega gasta sua fortuna tão rapidamente quando a conseguiu, Rude esbanja dinheiro – e má sorte – em apostas. Aos poucos, um começa a viver o fracasso nos campos e vê a vida desmoronar, enquanto o outro se mantém aclamado pela torcida, mas longe das quatro linhas não é tão querido assim.

O talento para o futebol não é o mesmo para administrar o dinheiro e o sucesso, e os irmãos Rude e Brega terão que conviver com o amor e o ódio que despertam em suas famílias, seus companheiros de time, os amigos, os técnicos, os torcedores e entre eles mesmos.

Produzido por um trio de diretores mexicanos reconhecidos e aclamados – Alfonso Cuarón (E tua mãe também), Alejandro González Iñarritú (21 gramas) e Guillermo del Toro (O labirinto do fauno) – Rude e Brega é divertido, simpático e bastante realista. Carlos Cuáron conduz a trama com agilidade e sem surpresas, revelando que o México e o Brasil são bem mais parecidos no futebol – e na vida – do que imaginávamos.

Histórias como as de Ronaldo, Adriano, Robinho e outros jogadores brasileiros se encaixam perfeitamente no roteiro deste filme. O que prova que existem muitos Rudes e Bregas por aí. E que o futebol, há muito tempo, deixou de ser uma caixinha de surpresas. Pelo menos fora dos campos.

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