Horas de Verão

junho 30, 2009

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Por Janaina Pereira

As relações familiares sempre rendem boas histórias para o cinema. No caso de Horas de Verão, filme escrito e dirigido por Oliver Assayas, que estreia nesta sexta, dia 3 (somente em São Paulo e no Rio de Janeiro), tudo gira em torno de uma herança – e a partir daí é mostrado como as questões materiais estão acima de qualquer envolvimento afetivo.

O longa começa com uma reunião entre Hélène Berthier (Edith Scob) com seus filhos e netos para celebrar seu 75º aniversário, na casa de campo da família. Entre uma conversa e outra, ela insiste em falar na divisão de seus bens para o filho mais velho, Frédéric (Charles Berling) que, a princípio, não quer discutir o assunto. Boa parte das obras de arte da casa pertenceu a um tio da matriarca, que se mantém vivo na memória da família graças aqueles objetos.

Quando Hélène morre, descobre-se que ela e o tio tiveram um romance, e por isso, durante anos, tantos objetos foram guardados com carinho e devoção.Mas a herança vai causar desacordo entre os irmãos. Adrienne (Juliette Binoche, em versão loira) mora nos Estados Unidos e o caçula, Jérémie (Jérémie Renier), na China. Enquanto Frédéric quer manter a casa onde a família costumava passar os verões, os outros desejam se desfazer de tudo.

Após decidirem vender a propriedade e as diversas obras de arte, doando as peças mais valiosas para o Museu D’Orsay, os irmãos começam a perceber a relação de afeto e desapego, que possuem com o passado familiar. Jérémie se mantém distante, preocupado com sua ascensão profissional e Adrienne quer concluir logo o assunto para retomar sua vida. Ambos, já totalmente afastados da França e da convivência em família, são exemplos de que os filhos buscam seus caminhos, à revelia dos pais. Frédéric é o único envolvido emocionalmente com a casa e seus objetos, justamente por ser o que ainda mora em sua terra natal.

Sem alardes ou lágrimas, Horas de Verão mostra como as famílias se despedaçam facilmente nos dias de hoje, e o passado fica realmente no passado, sem lembranças ou afinidades. Exatamente como cada obra de arte teve um destino, os filhos se separam após a morte da mãe, último laço que os unia. E a vida segue seu rumo.

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