Jean Charles

junho 26, 2009

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Por Janaina Pereira

O Brasil tem a (má) fama de país sem memória. Mas algumas histórias o cinema ajuda a se tornarem inesquecíveis. É o caso do assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, em 2005. A história chega às telas hoje, no filme Jean Charles, dirigido por Henrique Goldman e estrelado por Selton Mello.

Sem rodeios e indo direto ao ponto, Goldman aborda a vida de Jean Charles pouco antes de sua morte. O roteiro enxuto de Marcelo Starobinas começa com a chegada da prima de Jean (Selton), Vivian (Vanessa Giácomo), a Londres. Eles, assim como outros dois primos – Alex (Luis Miranda) e Patrícia (Patrícia Armani, que interpreta seu próprio papel) – saíram de Gonzaga, interior de Minas Gerais, na esperança de conseguir uma vida melhor na capital da Inglaterra. Os quatro dividem um minúsculo apartamento e vivem numa espécie de ‘gueto’ brasileiro em Londres – todo mundo se conhece e todos – quase sempre – se ajudam.

Como milhares de brasileiros que emigram para a Europa e os Estados Unidos em busca de melhores condições econômicas, Jean Charles partiu para Londres em 2002. Na cidade ele trabalha como eletricista, e como bom brasileiro, se mete em confusões mas sempre dá um jeitinho de se sair bem da situação. E esta é a história do longa.

A cena do trágico incidente no metrô – Jean foi confundido pela polícia com um dos extremistas islâmicos que teriam planejado um ataque frustrado ao sistema de transportes da capital britânica em 21 de julho de 2005. No dia seguinte, ele foi seguido ao sair do apartamento em que morava e, ao entrar na estação Stockwell, foi morto por um grupo especial da polícia londrina – é rápida e sem grande alarde. Até hoje o inquérito policial está aberto e o filme não tira conclusões precipitadas.

 Jean Charles conta, de forma simples e objetiva, a vida de um brasileiro, como tantos outros, que apenas queria um futuro melhor. Não esperem uma versão da morte do rapaz, nem cenas politizadas. O filme não levanta bandeiras, tem momentos divertidos e emocionantes, mas nada exagerado, e um dos seus trunfos é contar com pessoas que viveram ao lado do personagem real, todos interpretando a si mesmos. E, no final das contas, consegue cumprir seu objetivo: falar sobre a vida, e não sobre a morte do brasileiro.

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