Entrevista: Philippe Loiret

junho 17, 2009

fotos junho 2009 128

por Janaina Pereira

O cineasta Philippe Loiret, diretor de Bem-vindo, exibido na abertura paulistana do Panorama de Cinema Francês, participou de um debate – mediado pelo jornalista Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo – após a exibição do filme, na noite de ontem.

Loiret contou que nada do que aparece no longa foi inventado; as situações e pessoas são inspiradas na realidade francesa. “O roteiro começou a ser escrito quando descobri que jovens de países em guerra, com idades entre 16 e 25 anos, querem ir para a Inglaterra atrás de seus amores, ou para iniciar uma nova vida lá. Então tomei estas histórias como base para realizar o filme. Pensei, primeiramente, eu fazer um documentário, mas ele não alcançaria tanto público quanto uma ficção”, contou.

Embora a França seja considerada uma nação que respeita os direitos humanos, o filme mostra uma realidade bem diferente. E ao tocar nesta ferida, Loiret acabou mexendo com as autoridades francesas. “Hoje existe um projeto de lei chamado “Welcome” para rever a entrada de estrangeiros na França. Isso só foi possível graças ao filme”, comentou o diretor.

fotos junho 2009 125

Depois de procurar por diversos países um dos protagonistas do filme – o jovem iraquiano curso Bilal – ele acabou encontrando seu ator onde menos esperava. “Selecionei a intérprete de Mirna, a menina por quem Bilal se apaixona, no Instituto Curdo da França. Perguntei a ela se não conhecia um jovem para fazer o papel de Bilal, e ela indicou o irmão, mesmo ele não sendo ator.”

Firat Ayverdi, o escolhido, chegava a fazer 20 tomadas da mesma cena até o diretor conseguir o resultado esperado. Mesmo sem técnica, o menino surpreendeu e conquistou o público. Já o veterano Vincent Lindon aceitou fazer o papel de Simon, o outro protagonista, antes mesmo de ler o roteiro. “Ele era sensível ao problema dos imigrantes, assim como eu, e queria fazer o papel. No final o Bilal e o Simon acabam sendo os protagonistas, apesar da história principal ser do Bilal, que é o motor do filme. O Simon é a caixa de marchas.”

Sobre o sucesso de Bem-vindo, Philip Loiret disse que mesmo em lugares onde a situação do imigrante não é como na França, a receptividade tem sido boa, e ele se sente feliz por chamar a atenção para a situação dos imigrantes num país considerado tão justo. “O filme só tem impacto se tocar as pessoas. E isso eu acho que consegui”, finalizou.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: