Stella

junho 10, 2009

Stella_12a_alta

por Fábio Camargo

Tão sutil quanto uma guerrinha de esguichos entre duas jovens meninas. Assim é a história de Stella, filme escrito e dirigido por Sylvie Verheyde, que estreia nesta quinta, dia 11.

A protagonista tem apenas 11 anos de idade, e acaba de entrar em uma famosa escola de Paris para cursar a 5ª série [ou o primeiro ano da escola secundária, como os franceses dizem]. Acontece que ela não tem muita cultura, é mais pobre do que seus colegas de classe e prefere assistir futebol e jogar fliperama do que estudar. Ou seja, além de ser nova no pedaço, é considerada fora dos padrões da turma.

O filme se passa em 1977. Stella vive com seus pais em um bar na periferia parisiense. Mas, ao contrário do que parece, a produção não faz um apelo à desigualdade social, muito menos martiriza a pequena Stella como a garota pobre que sofreu preconceito ao ingressar num colégio de ricos. A menina é madura, esperta, tinhosa e provocante – no primeiro dia de aula, cospe em um menino no playground e volta para casa com um olho roxo.

Na escola, pode não se dar bem na aula de inglês e não conhecer muitos autores de livros. Mas quando volta para o bar – seu lar, doce lar -, é saudada pelos clientes, joga pôquer com eles e, quando descobre que menstruou pela primeira vez, todos brindam felizes da vida com sua mãe e seu pai. No colégio, é a estranha. No bar, é o xodó de todos.

Sua rotina passa a mudar quando ela faz amizade com a argentina Gladys, a primeira da turma, e acaba por conhecer um novo mundo, com novas experiências a cada dia, descobrindo o quão fora do comum é sua vida. Se tira nota ruim, a mãe dá bronca, mas não a obriga a estudar. “Se quiser ser garçonete igual a sua mãe quando crescer, o problema é seu”, chantageia. Aos poucos, ela vai amadurecendo. A experiência de viver em um bar com distintos figurões lhe credencia um entendimento de vida que a escola não chega nem perto de ensinar.

Prá variar, como na maioria dos longas franceses, a fotografia e a trilha sonora do filme são destaques. Como escrevi no começo, é tudo muito sutil. A atuação de Léora Barbara surpreende – ainda mais por ser sua primeira participação em um longa. E o filme é totalmente dela. Dá para sentir Stella em seus gestos, em seus olhos. E são os nossos olhos que sentem-se felizes após uma hora e quarenta minutos da pura mistura de leveza e mistério, trazendo um alívio imenso do que poderia ter sido uma catástrofe em nossas mentes. Mas não, o filme acaba como deve ser: fofo!
 

Stella (França, 2008)

Duração: 102 minutos

Gênero: Drama

Roteiro e Direção: Sylvie Verheyde

Elenco: Léora Barbara, Karole Rocher, Benjamin Biolay, Melissa Rodrigues, Laëtitia Guerard, Jeannick Gravelines e Guillaume Depardieu.

Distribuição: Imovision

Direção de fotografia: Nicolas Gaurin

Produção: Bruno Berthemy

Edição: Christel Dewynter

Música original: NousDeux The Band

Produção: Les Films Du Veyrier

Co-produção : Arte France Cinema e WDR / Arte

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