O Sal desse Mar

maio 28, 2009

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Por Janaina Pereira

No Brasil, criamos barreiras entre as pessoas por causa de sua origem. Sotaques diferentes provocam desconforto e transformam brasileiros em estrangeiros dentro do nosso próprio País. Eu, uma carioca que mora em São Paulo há tempos, que o diga.

Já perdi as contas de quantas vezes me senti uma intrusa, só porque o meu modo de falar não é igual ao dos ‘nativos.’ Mas, no Rio, todo mundo diz que agora eu falo como paulista. Ou seja, não tenho mais identidade. É justamente a perda de identidade o fio da meada de O Sal desse Mar, de Annemarie Jacir, filme que abre hoje a mostra III Imagens do Oriente. 

Durante quase duas horas acompanhamos a jovem Soraya, nascida e criada em Nova York, em seu regresso à Palestina, País do qual sua família foi deportada em 1948. Sua chegada já mostra o que veremos pela frente: revistada de maneira minuciosa no aeroporto, Soraya não se intimida e busca criar raízes no lugar que escolheu para viver.

Ela tenta recuperar as economias dos avós, congeladas num banco, mas é mal-sucedida. Conhece Emad, jovem com um desejo contrário ao seu – quer sair de lá para nunca mais voltar – e com ele inicia um flerte. Arruma emprego. Aluga uma casa. Procura conhecer a origem de sua família, seguindo os passos que seu avô e seu pai deram antes de serem deportados. Mas nada disso faz com que seja benvinda nos locais por onde passa.

Sem identidade dentro do lugar que tanto sonhou morar, Soraya resolve conquistar sua liberdade e escapar das amarras inerentes à situação palestina. Seu plano inclui um assalto, o desejo de ficar na clandestinidade  e a vontade de permanecer na Palestina. Tudo parece perfeito, mas há muito mais em jogo do que ela poderia imaginar.

Com lirismo, o filme mostra, pelo olhar de Soraya, como a guerra e a dor dividiram a Palestina.  Cidadãos discriminados e rechaçados, leis rigorosas, medo, culpa e muita revolta tomam conta da população e servem para mostrar ao Ocidente um pouco da história cruel que cerca essas pessoas.

O Sal desse Mar  é uma obra para toda a Palestina, para o mundo árabe e para nós, ocidentais, pois serve para refletirmos que não é um sotaque, nem uma religião, muito menos a região em que nascemos que determina quem  somos.

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