Alexandra

abril 29, 2009

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Por Janaina Pereira

Alexander Sokurov (Arca Russa, O Sol) é um diretor de poucas palavras mas muitas particularidades. Presença constante em festivais como a Mostra Internacional de São Paulo, o russo já conquistou seu espaço como um grande nome do cinema contemporâneo europeu. Seus filmes seguem uma estética parecida: cores opacas, fotografia pálida, poucos diálogos e cenas lentas repletas de sentimento. Assim como em Mãe e Filho (1997) e Pai e Filho (2003), as relações familiares estão em evidência em seu trabalho recente, Alexandra, em cartaz a partir de quinta (30).

O filme é narrado como se fosse um conto, e parece ser bem simples embora incomum: uma avó vai visitar o neto, um capitão do exército russo, em serviço na Chechênia. Tendo como base esta relação entre avó e neto, Sokurov vai além da guerra e apresenta uma reflexão sobre as feridas psicológicas geradas pelos conflitos, tanto para quem participa como para aqueles que estão de fora sendo massacrados.

A determinada Alexandra (Galina Vishnevskaya) viaja a Grosny para visitar o neto, Dennis. No passeio pela base ela é atormentada pelo calor opressivo e pela violência que vê. O quartel é apresentado pelo ponto-de-vista da mulher, que encontra uma realidade diferente da sua. E o que ela queria – estar junto ao neto para se sentir menos sozinha – parece perder o sentido dentro daquele universo banal e desgastante.

Centrado mais em imagens do que em palavras, o filme chama a atenção pelo apelo visual, graças à impecável fotografia. Impossível não sentir o drama da personagem em cenas que predominam os tons áridos e secos, e a poeira parece invadir a tela, o que acentua a frieza da guerra.

Alexandra não faz dos conflitos armados um espetáculo, mas também não critica estas ações. Com seu jeito introspectivo de fazer cinema, Sokurov mostra que o soldado luta, porém mal sabe o que está fazendo. E quem está de fora só quer sua vida de volta (como fica claro em um diálogo de um jovem checheno com Alexandra). O que parece impossível, pois o que sobra da guerra vai além das mortes e o que fica, sempre, são as feridas eternas que o diretor soube tão bem explorar neste filme.

Aleksandra (Rússia, 2007)
Direção: Alexander Sokurov
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 95 minutos

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