A Janela

abril 28, 2009

a_janela_2008_g

por Janaina Pereira

A velhice não é o momento mais aguardado de nossas vidas. Envelhecer é um processo pelo qual todos nós passamos, mas que se torna doloroso (para quem envelhece e para quem está em volta) à medida que o corpo e a mente falham. Vários filmes já trataram do assunto, mas poucos conseguiram ser tão sublimes como A Janela (La ventana), do argentino Carlos Sorín, que estreia nesta quinta, dia 30.

O protagonista é Antonio (interpretado pelo escritor e roteirista uruguaio Antonio Larreta), um escritor de 80 anos, doente e com sua vida limitada à cama e aos raros olhares pela janela. Enquanto aguarda a visita do filho, um famoso pianista (Jorge Diez) que há anos ele não vê, Antonio procura viver além das suas limitações, buscando na mente a nostalgia do passado.

Não sabemos porque pai e filho estiveram separados por tanto tempo, nem o que levou Antonio a adoecer. Não sabemos como as empregadas (Maria Del Carmem Jiménez e Emilse Roldán), que se revezam na atenção ao idoso, foram parar ali. O filme não explica essas situações mas também não deixa dúvidas: o espectador tem apenas que observar aquele homem cuja velhice lhe consumiu a saúde, mas não tirou o espírito aventureiro.

Somos tão observadores quanto o afinador de pianos (Roberto Rovira), que é chamado para preparar o velho instrumento abandonado para a visita do filho. Ele tudo vê e tudo comenta, sempre com uma certa ironia, mas sem entender o que realmente se passa.

Exatamente como vemos tantas vezes com nossos avôs e avós, Antonio é rebelde, não aceita sua limitação física, recorda-se demais do passado, esquece o presente e quer muito mais do que olhar pela janela. Com a doçura e a impertinência características dos idosos, ele nos leva ao seu universo particular, cercado de remédios, dores, lembranças, solidão e uma metafórica janela, que é o seu olhar para o mundo. Um mundo com um horizonte infinito e pronto para ser desbravado a qualquer momento.

Apostando em um elenco de não-atores e um roteiro simples e delicado, Sorín criou um filme com poucos diálogos e longos e inquietantes silêncios. O vazio que observamos na janela do protagonista traz um sentimento libertador – a liberdade que o protagonista deseja ter, ainda que seu corpo diga o contrário.

A Janela analisa a velhice, a vida, a morte e, especialmente, o tempo. Afinal, ele vai acabar, um dia, para cada um de nós, mas a vida segue normalmente. E por isso devemos aproveitar o tempo que nos resta. Como Antonio faz no filme.

La Ventana
Diretor: Carlos Sorín
Elenco: Antonio Larreta, Maria del Carmen Jimenez, Emilse Roldán, Arturo Goetz, Roberto Rovira, Jorge Diez
Gênero: Drama
Duração: 85 min
Distribuidora: Imovision

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: