Entrevista: Oliver Stone

abril 23, 2009

Por Janaina Pereira

Em bate-papo virtual – via Skype – realizado no Cine Bombril (SP), nesta quinta-feira (23), o diretor Oliver Stone contou como e porque realizou a cinebiografia de George W. Bush. Confira aqui a entrevista.

Apesar de ser um feroz crítico de Bush, seu filme foi considerado condescendente com o personagem. Por que essa visão humana de Bush?
Oliver Stone – Tentei ser justo e dar a ele o benefício da dúvida. E para reconstruir sua trajetória tive de “sentir as coisas como ele, andar com seus sapatos”. O filme mostra visão dele e para isso tinha que mostrar que ele bebe, come, fala errado e comete gafes.

E como chegou a esse retrato de Bush?
OS – Com muita pesquisa, que incluiu entrevistas e leitura de documentação e biografias relativas ao período. O mais difícil foi conseguir dinheiro para fazer o filme, por isso tive que buscar investimento fora dos Estados Unidos e em meu próprio bolso.

Qual a razão de ter enfatizado a relação de Bush pai com Bush filho?
OS – A agressividade e a determinação de Bush filho, especialmente quando abordamos a responsabilidade dele pela guerra do Iraque, são frutos dessa convivência familiar conflituosa. Foi a relação com o pai quem definiu o estilo de Bush no Governo.

E como foi a escolha do elenco? Josh Brolin sempre foi a primeira opção para o papel?
OS –
Sim, tinha que ser ele. Josh era o único que podia fazer Bush da juventude à maturidade. Quando o convidei, ele ficou muito irritado e ofendido. E eu falei que essa é a nossa profissão, temos que contar histórias, algumas reais, de pessoas que não gostamos, mas é nossa função levar isso ao público. Ele aceitou, depois de certa resistência, e se saiu brilhantemente.

Qual sua opinião sobre o governo Obama?
OS –
Apesar de ter votado nele, considero que está cometendo erros. Acho a ação no Afeganistão equivocada e pode provocar uma crise maior. Também não concordo com o modo como o dirigente vê Hugo Chavez. O presidente da Venezuela é um homem que quer paz. Não pode ser alinhado com terroristas. O povo norte-americano precisa de mais informação sobre o que está acontecendo lá.

Mostrar ao povo americano o que acontece na América Latina é um dos motivos de seu próximo projeto, o documentário sobre a revolução bolivariana?
OS – Sim, é. Entrevistei até agora oito presidentes sul-americanos, incluindo Lula, e a maioria tem apóia Chavez. E isso vai ser uma surpresa nos Estados Unidos e Europa, quando virem que Chavez não é, para os latinos, o terrorista que é para os norte-americanos.

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