Atrizes

abril 30, 2009

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Por Janaina Pereira

À primeira vista, Atrizes (Actrices) – em cartaz a partir de amanhã – é apenas o filme dirigido por Valeria Bruni Tedeschi, irmã da primeira-dama da França, Carla Bruni. Mas já no argumento dá para perceber que é bem mais do que isso. A trama gira em torno de Marcelline (Tedeschi), uma atriz que, de repente, passa a ser atormentada pela sombra de sua personagem, o que a faz ensaiar com tremenda dificuldade.

Apesar do incentivo do diretor (Mathieu Amalric, de O Escafandro e a Borboleta, um dos maiores atores franceses da atualidade) que diz que fará dela uma estrela, Marcelline não consegue esquecer que já é uma quarentona, solteira e sem filhos. Ao ser apresentada para Nathalie (Noémie Lvovsky), a assistente do diretor, as duas descobrem que já se conheciam desde os tempos de teatro na escola, há mais de 20 anos, e aos poucos vão notando o quanto são parecidas.

Provocante e perturbador, o filme provoca risos ao mesmo tempo em que vivemos a angústia da protagonista. Marcelline, na verdade, quer mais do que o palco: quer dar sentido à sua vida. O mesmo acontece com Nathalie e até com a sombra que atormenta Marcelline. Cada uma busca, a seu modo, encontrar a felicidade e não mais representar um papel. Elas querem amar e ser amadas. Querem ser felizes. Querem deixar de ser um personagem, muitas vezes criado a partir da idealização masculina.

Com Atrizes, Valeria Bruni Tedeschi atinge especificamente a platéia feminina. Porque vai ser difícil encontrar uma mulher que não se identifique com as personagens. Já os homens, bem, com certeza eles não vão entender o recado – exatamente como os homens do filme, que não entendem nada do que as mulheres falam ou fazem. Ponto para a diretora e roteirista, que com simpatia e humor soube retratar as diferenças entre homens, mulheres e suas expectativas sobre a vida.


Direção: Valeria Bruni Tedeschi
Roteiro: Valeria Bruni Tedeschi, Noémie Lvovsky, Agnès de Sacy, Mathieu Amalric
Gênero: Comédia/Drama
Origem: França
Duração: 107 minutos

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Alexandra

abril 29, 2009

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Por Janaina Pereira

Alexander Sokurov (Arca Russa, O Sol) é um diretor de poucas palavras mas muitas particularidades. Presença constante em festivais como a Mostra Internacional de São Paulo, o russo já conquistou seu espaço como um grande nome do cinema contemporâneo europeu. Seus filmes seguem uma estética parecida: cores opacas, fotografia pálida, poucos diálogos e cenas lentas repletas de sentimento. Assim como em Mãe e Filho (1997) e Pai e Filho (2003), as relações familiares estão em evidência em seu trabalho recente, Alexandra, em cartaz a partir de quinta (30).

O filme é narrado como se fosse um conto, e parece ser bem simples embora incomum: uma avó vai visitar o neto, um capitão do exército russo, em serviço na Chechênia. Tendo como base esta relação entre avó e neto, Sokurov vai além da guerra e apresenta uma reflexão sobre as feridas psicológicas geradas pelos conflitos, tanto para quem participa como para aqueles que estão de fora sendo massacrados.

A determinada Alexandra (Galina Vishnevskaya) viaja a Grosny para visitar o neto, Dennis. No passeio pela base ela é atormentada pelo calor opressivo e pela violência que vê. O quartel é apresentado pelo ponto-de-vista da mulher, que encontra uma realidade diferente da sua. E o que ela queria – estar junto ao neto para se sentir menos sozinha – parece perder o sentido dentro daquele universo banal e desgastante.

Centrado mais em imagens do que em palavras, o filme chama a atenção pelo apelo visual, graças à impecável fotografia. Impossível não sentir o drama da personagem em cenas que predominam os tons áridos e secos, e a poeira parece invadir a tela, o que acentua a frieza da guerra.

Alexandra não faz dos conflitos armados um espetáculo, mas também não critica estas ações. Com seu jeito introspectivo de fazer cinema, Sokurov mostra que o soldado luta, porém mal sabe o que está fazendo. E quem está de fora só quer sua vida de volta (como fica claro em um diálogo de um jovem checheno com Alexandra). O que parece impossível, pois o que sobra da guerra vai além das mortes e o que fica, sempre, são as feridas eternas que o diretor soube tão bem explorar neste filme.

Aleksandra (Rússia, 2007)
Direção: Alexander Sokurov
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 95 minutos

A Janela

abril 28, 2009

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por Janaina Pereira

A velhice não é o momento mais aguardado de nossas vidas. Envelhecer é um processo pelo qual todos nós passamos, mas que se torna doloroso (para quem envelhece e para quem está em volta) à medida que o corpo e a mente falham. Vários filmes já trataram do assunto, mas poucos conseguiram ser tão sublimes como A Janela (La ventana), do argentino Carlos Sorín, que estreia nesta quinta, dia 30.

O protagonista é Antonio (interpretado pelo escritor e roteirista uruguaio Antonio Larreta), um escritor de 80 anos, doente e com sua vida limitada à cama e aos raros olhares pela janela. Enquanto aguarda a visita do filho, um famoso pianista (Jorge Diez) que há anos ele não vê, Antonio procura viver além das suas limitações, buscando na mente a nostalgia do passado.

Não sabemos porque pai e filho estiveram separados por tanto tempo, nem o que levou Antonio a adoecer. Não sabemos como as empregadas (Maria Del Carmem Jiménez e Emilse Roldán), que se revezam na atenção ao idoso, foram parar ali. O filme não explica essas situações mas também não deixa dúvidas: o espectador tem apenas que observar aquele homem cuja velhice lhe consumiu a saúde, mas não tirou o espírito aventureiro.

Somos tão observadores quanto o afinador de pianos (Roberto Rovira), que é chamado para preparar o velho instrumento abandonado para a visita do filho. Ele tudo vê e tudo comenta, sempre com uma certa ironia, mas sem entender o que realmente se passa.

Exatamente como vemos tantas vezes com nossos avôs e avós, Antonio é rebelde, não aceita sua limitação física, recorda-se demais do passado, esquece o presente e quer muito mais do que olhar pela janela. Com a doçura e a impertinência características dos idosos, ele nos leva ao seu universo particular, cercado de remédios, dores, lembranças, solidão e uma metafórica janela, que é o seu olhar para o mundo. Um mundo com um horizonte infinito e pronto para ser desbravado a qualquer momento.

Apostando em um elenco de não-atores e um roteiro simples e delicado, Sorín criou um filme com poucos diálogos e longos e inquietantes silêncios. O vazio que observamos na janela do protagonista traz um sentimento libertador – a liberdade que o protagonista deseja ter, ainda que seu corpo diga o contrário.

A Janela analisa a velhice, a vida, a morte e, especialmente, o tempo. Afinal, ele vai acabar, um dia, para cada um de nós, mas a vida segue normalmente. E por isso devemos aproveitar o tempo que nos resta. Como Antonio faz no filme.

La Ventana
Diretor: Carlos Sorín
Elenco: Antonio Larreta, Maria del Carmen Jimenez, Emilse Roldán, Arturo Goetz, Roberto Rovira, Jorge Diez
Gênero: Drama
Duração: 85 min
Distribuidora: Imovision

Recém Chegada

abril 27, 2009

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por Janaina Pereira

Não sou, não fui e pelo jeito nunca serei fã de Renée Zellweger. Apesar de achar até legal a Brigite Jones, nunca vi uma interpretação da atriz que me convencesse, nem mesmo a oscarizada em Could Mountain (aquele sotaque caipira dela era de lascar) ou a elogiada em Chicago (prefiro a Catherine Zeta-Jones). O mais novo filme estrelado por Renée, Recém Chegada, de Jonas Elmer, que chega à telona neste feriadão de 1 de maio –  só vem a confirmar o que eu já achava: ela é uma atriz sem carisma, e num filme com roteiro fraco, tudo fica ainda pior.

A história é um clichê atrás do outro:  Lucy Hill (Zellweger), rica e bem-sucedida executiva, é transferida momentaneamente para uma cidade de Minessota, com a missão de demitir funcionários. Claro que se adaptar ao local não será nada fácil (e aí entram cenas de humor forçado, que causam constrangimento, e não risadas, na platéia) . E claro, também, que a moça acaba se apaixonando pelo bonitão da cidade, Ted Mitchell (Harry Connick Jr) – mas antes eles brigam e falam mal um do outro.

A moça capitalista ainda vai mostrar que o mundo corporativo não é tão bom quanto parece, e que temos que manter valores mais simples para sermos felizes. Assim, obviamente, ela conquista um lugar no coração do povo da região e garante o seu final feliz.

Então tá, a gente finge que acredita. O problema é que não dá para fingir que o filme é engraçado. As situações são muito óbvias, e o riso não é natural. Os atores estão no ‘piloto automático’, e não há carisma no casal principal. Ou seja, fica difícil curtir Recém Chegada como um filme para passar o tempo. Quem sabe da próxima vez a Renée Zellweger me convença que ela é mesmo divertida.

Recém Chegada (New in Town)

Elenco: Renée Zellweger, Harry Connick Jr., Siobhan Fallon Hogan, J.K. Simmons, Frances Conroy, Adetokumboh M’Cormack, Jimena Hoyos.
 
Direção: Jonas Elmer
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 96 min.
Distribuidora: Imagem Filmes

Quando tudo começa…

abril 26, 2009

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por Janaina Pereira

Pais desempregados, crianças com fome, crise econômica e a escola como válvula de escape, um segundo lar para gente que não tem esperança. Parece o mundo de hoje, mas é a França de 1999. Em Quando Tudo Começa, Bertrand Tavernier – cineasta que faz parte da leva de europeus comprometidos em realizar filmes políticos e sociais – denuncia com sensibilidade e estimula a reflexão sobre os problemas impostos pelo sistema capitalista na atualidade. No filme, o diretor focaliza os efeitos das chamadas políticas neoliberais implantadas na Europa a partir da década de 1980 sobre a população pobre que frequenta a escola.

A trama focaliza a história do professor Daniel Lefebvre (o ótimo Philippe Torreton), que ensina crianças em Hernaing, uma pequena cidade que sofre com o fechamento das minas de carvão e enfrenta uma taxa alarmante de 34% de desemprego. Daniel e os outros professores são aconselhados a não se envolver com os problemas crônicos da comunidade, mas é impossível permanecer imune à miséria, à falta de assistentes sociais, à indiferença do governo e aos sérios problemas domésticos que suas crianças enfrentam. Em um dos casos, um motorista de caminhão com esposa, filha pequena e um bebê recém-nascido não consegue pagar a conta de luz, e a casa fica às escuras e sem aquecimento em pleno início de inverno.

Depois de um trágico incidente na escola, Lefebvre decide comandar uma campanha contra o governo local, reivindicando condições mínimas de vida e dignidade para a população. Além de dificuldades pessoais, como a doença do pai, um ex-mineiro que sofre de enfisema, ele irá enfrentar enormes dificuldades burocráticas e a maquinação das autoridades educacionais, que farão de tudo para colocar o professor na linha.

Eleito o melhor na votação do público no Festival de San Sebastian de 1999, Quando Tudo Começa foi filmado quase como um documentário – com câmera na mão e uma inteligente edição que permite a interação das cenas como se fossem reais – o que faz o público vivenciar intensamente os problemas enfrentados pelos professores, que a todo o momento se indagam sobre o papel da escola em um contexto de perdas dos direitos sociais. Impossível não se abalar com o dia-a-dia de Daniel, sua imensa vontade de proporcionar uma vida mais digna às famílias de seus alunos, e sua decepção ao perceber que o sistema é mais forte que tudo.

Uma crítica social extremamente bem construída, sem sentimentalismos ou cenas apelativas, mas apresentado a realidade cruel e verdadeira.

Ça commence aujourd’hui
País: França
Ano: 1999
Duração: 105min
Diretor: Bertrand Tavernier
Elenco: Philippe Torreton, Dominique Sampiero, Maria Pitarresi, Nadia Kaci, Françoise Bette, Christine Citti, Emmanuelle Bercot

W.

abril 25, 2009

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por Janaina Pereira

Enquanto esteve na presidência dos EUA, George W. Bush foi uma das figuras mais odiadas do mundo. Nem mesmo os americanos aguentavam mais o presidente que escolheram – ainda que eleito de forma duvidosa. Fazer um filme sobre Bush parece dar um tiro no próprio pé. Acostumado a expor as feridas do seu país – e as suas próprias – o diretor Oliver Stone (dos premiados Platoon e Nascido em Quatro de Julho, ambos sobre a Guerra do Vietnã) apostou suas fichas e seu dinheiro para produzir W., já em cartaz.

Pontuando a história na forma como o Governo americano passou por cima da Constituição e da ONU para invadir o Iraque, o filme narra a vida de Bush desde a época em que entra na Universidade de Yale até o primeiro mandato como presidente dos EUA. A relação com o pai, o também ex-presidente George Bush, o alcoolismo, a forma como era manipulado dentro de sua própria equipe de Governo e a falta de preparo para ser presidente são os grandes momentos de W.

A interpretação visceral de Josh Brolin como Bush ressalta o lado humano do personagem – o que não significa que ele seja um cara bom, mas um homem atormentado pela rejeição paterna e decidido a provar, a qualquer custo, o seu valor. Essa humanização de Bush no filme vem sendo extremamente criticada, mas eu considero positiva. Em momento algum senti qualquer envolvimento emocional com a trajetória de Bush, muito pelo contrário. O filme só confirma minha opinião pessoal sobre ele: um homem egocêntrico que queria aparecer na mídia e mostrar ao mundo quem mandava em quem, ainda que isso custasse a vida de pessoas inocentes.

Vale destacar o cuidado de Stone na escolha do elenco: além de Brolin, os outros atores têm grande semelhança física com os personagens reais – com exceção de John Cromwell, muito mais magro que o Bush pai – e atuam com os mesmo gestos e entonação de voz  (incrível , por exemplo, Condolezza Rice e Colin Powell, exatamente como acostumamos a vê-los  na TV).

W. pode não ser um filme de um grande personagem, mas é um retrato deste homem que faz parte da nossa história recente – ainda que as lembranças que temos dele não sejam as melhores e o filme ajude a reforçar isso.

W. (Idem. EUA/Inglaterra/Austrália/Alemanha/Hong Kong, 2008)

Direção: Oliver Stone.

Com: Josh Brolin, Richard Dreyfuss, James Cromwell e Jeffrey Wright.

129 min.

Eu te amo, cara

abril 24, 2009

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Por Janaina Pereira

Sabe aquele filme que você não dá nada por ele e, de repente, se vê completamente envolvido com a história (e ainda rindo de tudo que está vendo)? Este é o caso de Eu te amo, cara (I love you, man – EUA, 2008), que estreia hoje. O filme é um exemplar perfeito da “comédia do constrangimento”, em que a narrativa gira em torno de um protagonista envolvido em situações construídas apenas para embaraçá-lo.

Depois de anos de um namoro atrás do outro, o corretor imobiliário Peter Klaven (Paul Rudd) descobre que a falta de amizades masculinas preocupa sua noiva, Zooey (Rashida Jones). Com a ajuda do irmão gay e da mãe superprotetora, Peter inicia uma busca desesperada por um amigo, que também será seu padrinho de casamento. Claro que os encontros geram momentos inusitados (e hilários), como despertar a paixão de outros homens e ter um senhor de 87 anos como única companhia para um café.

Em uma visitação imobiliária – em que tenta vender a casa do Incrível Hulk Lou Ferrigno (sim, ele mesmo, o do seriado de TV) Peter conhece o carismático Sydney Fife (Jason Segel). Os dois acabam criando um vínculo que ensina Peter algo que ele desconhece: o verdadeiro significado da amizade entre homens. Mas isso também ameaça sua relação com Zooey, afinal, que mulher aceita pacificamente ser ‘trocada’ pelo melhor amigo?

O filme dá certo porque o roteiro foge dos clichês – o homossexualismo não é motivo de piada de mau gosto, os personagens não são caricatos e o objeto do desejo do protagonista não é a mocinha, e sim um amigo. Com criatividade, os roteiristas John Hamburg (que também dirige o filme) e Larry Levin conseguem fazer uma comédia romântica às avessas, mostrando como homens e mulheres são diferentes em seus relacionamentos com os amigos, e não em relacionamentos amorosos como vemos em tantos filmes por aí.

O elenco é outro ponto forte, com destaque para o entrosamento entre Rudd e Segel, que constroem seus personagens sem o menor pudor. Enquanto o Peter de Rudd é sensível, bonzinho e simpático (o que poderia soar como um ‘gay enrustido’, que ele não é e nem transparece ser), o Sydney de Segel é bruto, desbocado e ‘sem noção’ (o que poderia soar como o típico machista, que ele também não é e não insinua ser). Graças aos dois, o momento em que o título do filme é pronunciado por eles não tem nada de piegas ou bizarro, tornando-se, inclusive, uma cumplicidade única entre os personagens e os atores (bem ao estilo do que é uma amizade entre homens).

Eu te amo, cara é diversão garantida e um fôlego novo ao gênero que anda tão massacrado por piadinhas forçadas e roteiros infames. Uma prova de que ainda existe vida inteligente no mundo da comédia.


I love you, man
Direção: John Hamburg
Roteiro: John Hamburg e Larry Levin
Gênero: Comédia
Elenco: Rashida Jones, Jon Favreau, J.K. Simmons, Paul Rudd, Thomas Lennon, Jaime Pressly, Jason Segel, Jane Curtin, Andy Samberg, Sarah Burns

Entrevista: Oliver Stone

abril 23, 2009

Por Janaina Pereira

Em bate-papo virtual – via Skype – realizado no Cine Bombril (SP), nesta quinta-feira (23), o diretor Oliver Stone contou como e porque realizou a cinebiografia de George W. Bush. Confira aqui a entrevista.

Apesar de ser um feroz crítico de Bush, seu filme foi considerado condescendente com o personagem. Por que essa visão humana de Bush?
Oliver Stone – Tentei ser justo e dar a ele o benefício da dúvida. E para reconstruir sua trajetória tive de “sentir as coisas como ele, andar com seus sapatos”. O filme mostra visão dele e para isso tinha que mostrar que ele bebe, come, fala errado e comete gafes.

E como chegou a esse retrato de Bush?
OS – Com muita pesquisa, que incluiu entrevistas e leitura de documentação e biografias relativas ao período. O mais difícil foi conseguir dinheiro para fazer o filme, por isso tive que buscar investimento fora dos Estados Unidos e em meu próprio bolso.

Qual a razão de ter enfatizado a relação de Bush pai com Bush filho?
OS – A agressividade e a determinação de Bush filho, especialmente quando abordamos a responsabilidade dele pela guerra do Iraque, são frutos dessa convivência familiar conflituosa. Foi a relação com o pai quem definiu o estilo de Bush no Governo.

E como foi a escolha do elenco? Josh Brolin sempre foi a primeira opção para o papel?
OS –
Sim, tinha que ser ele. Josh era o único que podia fazer Bush da juventude à maturidade. Quando o convidei, ele ficou muito irritado e ofendido. E eu falei que essa é a nossa profissão, temos que contar histórias, algumas reais, de pessoas que não gostamos, mas é nossa função levar isso ao público. Ele aceitou, depois de certa resistência, e se saiu brilhantemente.

Qual sua opinião sobre o governo Obama?
OS –
Apesar de ter votado nele, considero que está cometendo erros. Acho a ação no Afeganistão equivocada e pode provocar uma crise maior. Também não concordo com o modo como o dirigente vê Hugo Chavez. O presidente da Venezuela é um homem que quer paz. Não pode ser alinhado com terroristas. O povo norte-americano precisa de mais informação sobre o que está acontecendo lá.

Mostrar ao povo americano o que acontece na América Latina é um dos motivos de seu próximo projeto, o documentário sobre a revolução bolivariana?
OS – Sim, é. Entrevistei até agora oito presidentes sul-americanos, incluindo Lula, e a maioria tem apóia Chavez. E isso vai ser uma surpresa nos Estados Unidos e Europa, quando virem que Chavez não é, para os latinos, o terrorista que é para os norte-americanos.

por Alice Jones

O HSBC Belas Artes sediará na madrugada de 2 para 3 de maio, durante a Virada Cultural de São Paulo, a segunda edição da Virada Cine-Gastronômica Petybon. Sucesso de público, o evento retorna com o mesmo formato consagrado em 2008: proporcionar experiências gourmet em meio a sessões de cinema.

Das 23h de sábado, dia 2, às 7h de domingo, dia 3, os cinéfilos poderão assistir a sete filmes – distribuídos em três sessões – e participar de quatro degustações de receitas relacionadas às películas exibidas. Diversificada, a programação traz títulos premiados e bastante difundidos no Brasil como Volver, de Pedro Almodóvar, A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Tim Burton, e Amor à Flor da Pele, de Wong Kar-wai.

A receita repete a estratégia bem-sucedida da estreia do evento, em 2008, quando deixou os espectadores com o paladar aguçado ao sentir o aroma de molho de tomate ao término do clássico japonês Tampopo – Os Brutos Também Comem Espaguete.

“Essa é uma experiência sensorial fantástica, que estimula todos os sentidos da audiência ao integrar a gastronomia e cinema. Com esse intuito, a seleção dos filmes seguiu um critério essencial: deve dar água na boca de quem for ao evento”, comenta Jumar Pedreira, gerente de marketing da J.Macêdo, fabricante da marca Petybon e idealizadora do evento Virada Cine-Gastronômica Petybon.

O público certamente se deliciará com a programação, que engloba enredos que vão da comédia cult Correio Sentimental, do diretor holandês de Danniel Danniel, ao divertido Ratatoulle, animação da Disney.

Os interessados em adquirir ingressos para o evento poderão escolher entre opções “combos” que darão direito a três sessões de cinema e quatro degustações patrocinadas pelas marca Petybon, com apoio de Sol e Coca-Cola/Femsa. Os ingressos estarão à venda nas bilheterias do HSBC Belas Artes partir 30 de abril por R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes, idosos e clientes do HSBC).

PROGRAMAÇÃO

AMOR À FLOR DA PELE, de Wong Kar-wai (In The Mood for Love, Hong-Kong/França, 2000, cor, 90 min., Legendado). Romance. Nos anos 60, um casal de amigos vive numa pensão em Hong-Kong, enquanto os seus cônjuges passam o tempo todo fora, trabalhando. Devido à solidão que ambos enfrentam, a proximidade entre eles fica cada vez mais estreita. Certa noite, enquanto jantam, acabam chegando a uma triste conclusão: o marido dela e a mulher dele estão tendo um caso. Depois disso, eles ficam ainda mais juntos e, inevitavelmente, acabam se apaixonando. Mas, para não despertar suspeitas entre os seus vizinhos de quarto, os dois passam a ter encontros secretos, durante os quais dividem porções de comida chinesa e conversam com a doce cumplicidade de possíveis amantes. Com Tony Leung, Maggie Cheung e Lai Chen.

CORREIO SENTIMENTAL, de Danniel Danniel (Ei, Holanda, 1987, cor, 58 min., Legendado). Romance. Este singelo e bonito filme apresenta logo em suas primeiras imagens um delicioso pão recém saído do forno. Trata-se da criação de um padeiro solteirão e analfabeto, alvo de piadas entre os seus colegas de trabalho que o consideram bobo. Ao decidir se corresponder com uma mulher de outra cidade que publicou um anúncio em uma seção de correio sentimental, um amigo passa a ajudá-lo, escrevendo as cartas de amor. Quando, enfim, é aguardada a chegada da desconhecida àquela pequena e pacata aldeia do interior da Holanda, uma grande agitação acontece não só no coração do padeiro, mas também na vida das pessoas à sua volta. Com Johan Leysen, Marijke Veugelers e Jake Kruyer.

FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE, A, de Tim Burton (Charlie and The Chocolate Factory, EUA, 2005, cor, 106 min., Dublado). Aventura. Willy Wonka, o excêntrico dono da maior fábrica de doces do planeta, está à procura de um herdeiro para o seu império e, a fim de conhecer pequenos candidatos, ele coloca um convite dourado em barras de chocolate. Cinco crianças têm a sorte de encontrar o cobiçado passaporte e com isso ganham um passeio pelas dependências da maravilhosa fábrica que não era visitada por ninguém há 15 anos. Nova filmagem baseada em livro homônimo do escritor galês Roald Dahl (1964) e levado anteriormente às telas por Mel Stuart em 1971. Com Johnny Depp, Freddie Highmore e Helena Bonham Carter.

A JANELA DA FRENTE, de Ferzan Oztepek (La Finestra di Fronte, Itália/Turquia, 2002, cor, 102 min., Legendado). Drama. Um jovem casal encontra um idoso amnésico andando sem destino pelas ruas de Roma. Os dois param para ajudá-lo, mas a mulher tem pressa e não se comove tanto com a situação, ao contrário do marido que acaba levando o homem para dentro de casa. A presença desse desconhecido provoca a ira da mulher, infeliz com a sua rotina baseada em cuidar dos filhos, trabalhar fora e ainda fazer bolos para vender num sofisticado café. Ela, porém, sempre que pode, fica espiando o seu belo vizinho da janela da frente. Certo dia, enquanto passeava com o seu hóspede sem memória, um estranho acontecimento a faz se aproximar do vizinho e, além do flerte inevitável, os dois descobrem segredos decisivos do passado daquele senhor e também das suas próprias vidas. Com Giovanna Mezzogiorno, Filippo Nigro e Massimo Girotti.

RATATOUILLE, de Brad Bird (Ratatouille, EUA, 2007, cor, 101 min., Dublado). Animação. Animação sobre um rato com dons culinários que sonha se tornar um grande chef, apesar da reprovação de sua família. Além disso, ele é sempre expulso das cozinhas, onde um rato jamais será bem-vindo. Um dia, ele visita o restaurante de seu ídolo culinário, o francês Auguste Gusteau, e se torna amigo de um ajudante atrapalhado que não sabe cozinhar. Juntos eles acabam formando uma secreta e bem-sucedida dupla, expert em panquecas, sopas e grelhados, entre outras deliciosas variedades à base de legumes, queijos e verduras.

SUA OPINIÃO, POR FAVOR, de Heddy Honigmann (Your Opinion, Please, Alemanha, 1988, cor, 13 min., Legendado). Comédia. Curta-metragem cômico sobre uma garota bonita e atraente que decide preparar um delicioso jantar como tentativa de conquistar o homem que ela ama. Mas, apesar do esforço, algo dá errado: ela se esquece da sobremesa. Esse detalhe a faz se sentir fracassada, e então ela pede a opinião dos espectadores quanto à gravidade da sua falha. Com Anneke Blok Bonni e Titus Tiel Groenestege. [Importante: Esse curta-metragem será exibido na mesma sessão que o filme Correio Sentimental]

VOLVER, de Pedro Almodóvar (Volver, Espanha, 2006, cor, 121 min., Legendado). Drama. Uma mulher de 30 e poucos anos, mãe de uma adolescente, trabalha intensamente para aumentar a renda familiar. Porém, uma inesperada transformação acontece na vida dela, quando o marido, um desempregado alcoólatra, é morto em uma tragédia envolvendo sua própria filha. Depois disso, ela terá de proteger a garota de ser condenada por assassinato e ainda arranjar uma ocupação extra. Neste momento de grande dificuldade, surge a idéia de reativar um pequeno restaurante próximo e cozinhar para uma equipe que está rodando um filme na região. O cardápio, sortido de carnes, tortillas e saladas, vira um grande sucesso, mas, paralelamente, a vida familiar continua um turbilhão, pois a falecida mãe da moça reaparece de repente, em forma de fantasma, para resolver pendências do passado. Com Penélope Cruz, Carmen Maura e Lola Dueñas.

Virada Cine-Gastronômica Petybon
Quando: das 23h de 2 de maio (sábado) às 7h de 3 de maio (domingo)
Local: HSBC Belas Artes – Rua da Consolação, 2423, São Paulo
Preço: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Início das vendas: 30 de abril

No próximo domingo, 26 de abril, às 11h, a Reserva Cultural promoverá a segunda sessão do Ciné-Club Aliança Francesa, Fnac e Reserva Cultural com a exibição de Quando Tudo Começa… (França/1999), de Bertrand Tavernier.

Para comemorar o Ano da França no Brasil, a Aliança Francesa realiza, em parceria com a FNAC, nove sessões de cinema francês até novembro, na Reserva Cultural, um domingo por mês. Sempre às 11h, o ingresso custa R$ 5 e dá direito, além da sessão, ao café da manhã na Pain de France, a boulangerie da Reserva Cultural.

Quanto Tudo Começa… integra o Ciclo 1 do cineclube (que começou com A Esquiva, de Abdellatif Kechiche, em 29 de março), cujos filmes giram em torno do tema “A escola na França: diversidades e dilemas contemporâneos”. A última sessão desse primeiro ciclo está prevista para 24 de maio com a exibição de Ser e ter, de Nicolas Philibert.

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria da Reserva Cultural a partir da sexta-feira anterior à exibição, das 13h às 22h, ou no domingo, a partir das 9h30. O cineclube é sujeito à lotação da sala.

Ciné-Club Aliança Francesa, Fnac e Reserva Cultural
Data: Domingo, 26 de abril de 2009
Ingresso: R$ 5 (sessão + café da manhã)
Horários:
9h30: abertura da bilheteria
10h: café da manhã
11h: exibição
Sala de exibição: Sala 1 (190 lugares). Sujeito à lotação da sala.

Avenida Paulista, 900. Térreo Baixo
Tel: (11) 3287-3529
Estacionamento conveniado:
Gazeta Multipark (no subsolo do cinema)

PROGRAMAÇÃO
Quando Tudo Começa… (Ça commence aujourd’hui…) – França (1999) – 105 minutos.
Direção: Bertrand Tavernier.
Com Philippe Torreton, Dominique Sampiero, Maria Pitarresi, Nadia Kaci, Françoise Bette, Christine Citti, Emmanuelle Bercot.

A trama focaliza a história do professor Daniel Lefebvre (Philippe Torreton), que ensina crianças em Hernaing, uma pequena cidade que sofre com o fechamento das minas de carvão e enfrenta uma taxa alarmante de 34% de desemprego. Daniel e os outros professores são aconselhados a não se envolver com os problemas crônicos da comunidade, mas é impossível permanecer imune à miséria, à falta de assistentes sociais, à indiferença do governo e aos sérios problemas domésticos que suas crianças enfrentam.

O filme foi eleito o melhor na votação do público no Festival de San Sebastián de 1999.