Queime depois de ler

dezembro 20, 2008

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por Janaina Pereira

Depois de toda a boa repercussão de Onde os Fracos Não Têm Vez, filme oscarizado que transformou os irmãos Coen em queridinhos de Hollywood, a talentosa dupla de diretores volta às raízes com uma comédia ácida com toques de violência, fator sempre presente em suas produções. Queime Depois de Ler , já em cartaz, é a nova pérola dos Coen, um filme com roteiro primoroso sobre a ambição e a falsa moralidade que predominam na sociedade americana.

A trama mostra uma conspiração fajuta e aproveita para escrachar com alguns estereótipos, como a importância da beleza estética. Para isso, Ethan e Joel Coen colocaram em cena dois dos maiores símbolos sexuais do cinema, George Clooney e Brad Pitt, em papéis que beiram o ridículo, brincando com a imagem dos galãs. Pitt, em especial, ‘desconstrói’ a si mesmo, no melhor papel de sua carreira – e ele aproveita a chance para fazer um personagem divertido e único.

Mas nem só de Pitt e Clooney vive Queime Depois de Ler . O filme conta com nomes de peso como Tilda Swinton, John Malkovich e a musa mais presente na filmografia de Joel e Ethan, Francis McDormand, todos em excelentes atuações.

O roteiro gira em torno de Osbourne Cox (Malkovich), agente que é despedido da CIA por seus ‘problemas de bebida’ e conta à sua esposa Katie (Swinton) que agora se concentrará em escrever um livro de memórias. Katie toma coragem para pedir o divórcio e assim assumir a relação que mantém com o policial canastrão Harry Pfarrer (Clooney), que em 20 anos de profissão nunca precisou tirar sua arma do coldre.

Enquanto isso, numa academia de ginástica, Linda Litzke (McDormand) está obcecada por transformar seu corpo através de várias cirurgias plásticas. Para conseguir o dinheiro necessário para as operações, ela se junta a seu melhor amigo, o patético instrutor de ginástica Chad Feldheimer (Pitt). Depois de acharem um CD no banheiro da academia com informações que julgam serem arquivos confidenciais da CIA, a dupla começa a chantagear Cox. Está dado o pontapé inicial a uma trama de espionagem e paranóia a respeito de uma conspiração sobre nada.

Os personagens vão se ligando uns aos outros das maneiras mais tortuosas, através da vida dupla que todos são obrigados a sustentar. O único que permanece sempre fiel a sua própria personalidade é o espontâneo Chad, cuja melhor cena é também aquela que guarda a virada da história. E há também a sacada do título, que você só percebe quando o filme acaba.

Queime Depois de Ler transborda ironia para todos os lados, divertindo através da ridicularização e das bobagens que cada um dos personagens comete. E, no final das contas, mostra como todos nós podemos ter desejos e anseios ridículos que nos levam a lugar nenhum.