por Janaina Pereira, de Berlim

 

O elogiado Cesare deve morire, dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, ganhou na noite deste sábado, dia 18, o Urso de Ouro do Festival de Berlim 2012. O longa, que vinha sendo apontado pela crítica como um dos favoritos ao prêmio, conta a história de um grupo de presidiários que vai montar a peça Julio César, de William Shakespeare. A trama traça um pararelo entre a obra shakesperiana e o universo do presídio, e os atores são presidiários de verdade.

“É o nosso prêmio mais importante, porque este filme é diferente dos outros que fizemos. Para nós, era essencial que o filme fosse visto aqui, um festival preocupado com os problemas sociais do mundo. Trabalhando na prisão, é fácil falar de liberdade, de tirania e de assassinato. Para nós na Itália, ‘Julius Caesar’, de William Shakespeare, é uma obra muito atual.””, disse Paolo Taviani na coletiva de imprensa dos vencedores.

O júri presidido por Mike Leigh deu o Prêmio Especial a Csak a Szel, fraco filme do húngaro Bence Fliegauf, que trata da situação dos ciganos. O Urso de Prata de melhor direção ficou com Christian Petzold pelo preferido da crítica alemã, Barbara. O diretor disse que o filme foi diferente das suas experiências anteriores. “Eu perdi o controle das coisas. E foi bom.”

O Urso de Prata de melhor atriz ficou com Rachel Mwanza, de apenas 14 anos, por sua interpretação de uma menina-soldado no Congo em Rebelle. Desde a exibição do longa ontem, Rachel despontou como favorita ao prêmio. “Tive uma vida muito dura, sabia que era uma grande chance para mim e tentei fazer o meu melhor”, disse a jovem, que viveu nas ruas de Kinshasa antes de ser escolhida para fazer o papel.

Polêmicas foram as premiações dadas a En Kongelig Affaere, de Nikolaj Arcel. O filme ganhou como melhor roteiro e o ator Mikkel Boe Følsgaard surpreendentemente venceu como melhor ator – batendo Robert Duval e John Hurt, considerados favoritos por  Jayne Mansfield’s Car.

O troféu de inovação foi para o português Tabu, coprodução com a brasileira Gullane Filmes e dirigido por Miguel Gomes. A fotografia de Lutz Reitemeier para o chinês Bay Lu Yuan, de Wang Quan’an, recebeu o Urso de Prata por sua contribuição artística. Já o bom Sister, de Ursula Meier, ganhou menção especial do júri.

A 62ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim teve como presidente do júri da mostra competitiva o cineasta inglês Mike Leigh. Os outros componentes do júri foram o fotógrafo e cineasta holandês Anton Corbijn, o diretor e roteirista iraniano Ashghar Farhadi, a atriz francesa Charlotte Gainsbourg, o ator americano Jake Gyllenhaal, o cineasta e roteirista francês François Ozon, o escritor argelino Boualem Sansal e a atriz alemã Barbara Sukowa.

 

por Janaina Pereira, de Berlim

 

No último dia de exibição oficial dos filmes da mostra competitiva, o Festival de Berlim parou para ver Robert Pattinson passar. Nesta sexta, 17, ele brilhou no tapete vermelho do lançamento mundial de Bel Ami, de Declan Donnellan e Nick Ormerod, exibido fora de competição.

O longa, baseado num romance de Guy de Maupassant sobre Georges Duroy (Robert Pattinson), um ex-soldado e filho de lavradores pobres que se sente no direito de ser rico, tem uma trama bem amarrada e interessante, que se torna cansativo graças à atuação fraquíssima de Pattinson. Limitado, o ator parece que vai virar vampiro a qualquer momento durante o filme.

Na coletiva, em que Pattinson surpreendeu ao aparecer de cabeça raspada, o ator comentou como foi fazer um jornalista. “Foi engraçado, quando ele entrou na coluna de fofocas do jornal… Fiz um paralelo. Mas ele não é bem um jornalista, é como se, hoje, fosse astro de reality show, algo em que pudesse ter dinheiro e fama sem fazer nada.”

A atriz Christina Ricci que também participou da coletiva, falou sobre a cena de sexo entre sua personagem e Pattinson. “Ah, elas foram tão íntimas e românticas… Havia cem pessoas no set sem teto! E eu não depilei as axilas, para ser fiel ao período histórico. É, realmente estávamos muito atraentes!”.

Bel Ami será distribuído no Brasil pela Califórnia Filmes.

por Janaina Pereira, de Berlim

Em seus momentos finais, o Festival de Berlim apresenta claramente seus favoritos. Billy Bob Thornton se junta aos irmãos Taviani como cotadíssimo ao Urso de Ouro por Jayne Mansfield’s Car, seu novo trabalho como diretor.

Thornton também atua no filme ao lado de Robert Duvall, John Hurt – que participou da coletiva em Berlim e foi ovacionado pelos jornalistas – Kevin Bacon e Frances O’Connor. O filme é ambientado em 1969, e segue duas famílias diferentes – uma americana e outra britânica – que se reunem pela morte da ex-mulher de Duval e Hurt.

Na coletiva, Thornton alfinetou Hollywood, e contou que não conseguiu financiamento dentro dos EUA para seu filme. “A maioria dos filmes americanos que são fáceis de obter financiamento são filmes sobre modelos de uniforme de gladiadores e comédias malucas com crianças que se envolvem com as ovelhas no hotel. Então, ao invés de reclamar, decidi simplesmente escrever e direcioná-lo.”, disse. “É uma história que eu tive na minha cabeça por muito tempo e acho que sou um diretor melhor quando estou fazendo meu próprio material. Minha última experiência foi em ‘All The Pretty Horses’, que foi um filme que eu estava contratado para dirigir. Eu não tinha controle sobre o que aconteceu com ele. Neste caso, eu era capaz de lançar que eu queria e cortar o filme do jeito que eu queria. “

Thornton também disse que Berlim era o único festival que queria estrear. “A razão por que quis vir para Berlim com o filme é que isso é conhecido como um festival de cinema muito sério, onde a qualidade dos filmes é fundamental. Ficamos muito honrados de ser aceito aqui.”

Em um momento constrangedor, Thornton foi questionado se estaria saindo com Angelina Jolie, sua ex-mulher, em Berlim – Angelina está na cidade lançando In The Land of Blood and Honey, sua estreia como diretora. Elegante, ele respondeu que Angelina é uma mulher maravilhosa e uma das suas melhores amigas.

“Quando os artistas se separam, as pessoas gostam de inventar histórias sobre o quanto estão uns contra os outros. Isso nunca foi verdade. Nunca será. Eu vou amá-la até o fim da minha vida e ela vai me amar. Somos amigos. Brad é um meu amigo também, e eu amo os dois. Eu amo seus filhos, e eles me adoram. Eu ainda não a vi, mas tenho certeza que vamos nos ver, quem sabe esta tarde.”

Jayne Mansfield’s Car não tem previsão de estreia no Brasil.

por Janaina Pereira, de Berlim

A estreia mundial do novo filme de Steven Soderbergh, Haywire, aconteceu nesta quarta, dia 15, no Festival de Berlim. Para o lançamento do longa, o diretor veio à cidade acompanhado de Michael Fassbender, Antonio Banderas e da lutadora de artes marciais – e agora atriz – Gina Carano (foto).

Carano bate – e apanha – de Fassbender e de Ewan McGregor no divertido filme. “Ela realmente não me intimida”, disse Fassbender na entrevista coletiva, quando foi questionado se não ficou preocupada com sua imagem por fazer cenas em que bate em Gina. “Isso não é Michael Fassbender fazendo, é o personagem.  Estou aqui para servir a história e ao personagem. E na vida real, Gina iria bater em mim em qualquer circunstância”, comentou o ator, arrancando risadas dos jornalistas.

Carano disse que, apesar da brutalidade na tela, não houve ferimentos graves durante a filmagem.”Eu quebrei meu dedo no ombro de Michael uma vez, isso é tudo.”

Haywire foi bem recebido em sua estreia em Berlim, o que deixou Soderbergh satisfeito.  “Quando eu estava conversando com [o diretor do festival] Dieter Kosslick, disse que adoraria vir com este tipo de filme e mostrá-lo neste momento, depois de ter visto um monte de drama pesado. Agora o público está realmente pronto para relaxar.”

Haywire será lançado no Brasil ainda neste primeiro semestre pela Imagem Filmes.

por Janaina Pereira, de Berlim

Em sua 17ª indicação ao Oscar, a atriz americana Meryl Streep é apontada como favorita para levar a terceira estatueta para casa. Faltando poucos dias para a premiação, ela veio a Berlim receber o Urso de Ouro honorário, pelo conjunto de sua carreira. Antes da premiação, que aconteceu na noite desta terça, 14, Streep conversou com cerca de 350 jornalistas que lotaram a pequena sala de conferência de imprensa do Berlinale Palast.

Ovacionada, a atriz mostrou porque é uma das personalidades mais queridas do cinema: simpática e divertida, tinha sempre uma resposta surpreendente para a infinidade de perguntas. Em quase uma hora de coletiva, ela ganhou flores, uma matryoshka – tradicional boneca russa – recebeu declarações de amor dos jornalistas e dominou com facilidade o microfone, assim como domina bem a arte de interpretar.

“Cresci em Nova Jersey, uma cidade de 10 mil habitantes. E pensar que tantos anos depois ia receber um Urso de Ouro na Berlinale, o festival de cinema mais famoso do mundo, é um verdadeiro sonho”, disse.

Questionada sobre como decide os personagens que vai fazer, ela revelou que quando lê o roteiro e fica sensibilizada, sabe que aquele personagem e importante. “Gosto dos personagens de mulheres difíceis de serem compreendidas, por exemplo a de ‘O diabo veste Prada’.”

No meio da coletiva, um jornalista subiu no palco, entregou um buquê de flores brancas à atriz e deu um beijo nela. Outro repórter deu de presente uma boneca russa, com cada bonequinha pintada de forma diferente para representar os diversos papeis já interpretados por ela nos filmes. Neste momento Meryl brincou que o nariz da boneca era melhor que o dela.

Sobre o filme Dama de Ferro, pelo qual concorre mais uma vez ao Oscar e que foi exibido aqui em Berlim, ela disse que não foi complicado interpretar Margareth Tatcher. “Quando uma pessoa faz o que gosta, nada é difícil. Basta se concentrar. Meu desafio ao interpretar Margaret Thatcher era encarnar a mesma mulher, jovem e velha, numa parte importante de sua vida, em sua intimidade oculta.”

Quando pediram para fazer o sotaque britânico, ela disse “Não”, com sotaque e a mesma perfeição vista no filme. E sobre as escolhas políticas de Tatcher, Meryl fez questão de dar sua posição. “Aprendi muitas coisas interpretando ela. Antes, tinha preconceito, eu sou uma atriz meio esquerdista. Não gostava muito que tivesse sido amiga de Ronald Reagan. Pensava, como mulher, que usava um penteado horrível. Nós, mulheres, reparamos nessas coisas. Agora que estou do outro lado, vocês também podem falar dos meus cabelos.”

Nos momentos finais da coletiva, uma frase de efeito deixou claro que Meryl Streep é mesmo alguém especial. “O começo de uma filmagem é mais difícil. As pessoas podem nos intimidar, temos que ter truques para esconder a insegurança. O medo é importante como combustível, porque se não sentir medo, alguma coisa vai mal. E depois de 35 anos de carreira, sinto que devo surpreender a mim mesma, surpreender aos demais.”

E que agradável surpresa é Meryl Streep.

por Janaina Pereira, de Berlim

O Festival de Berlim foi marcado nesta segunda-feira, 13, pela exibição – fora de comeptição – do mais novo filme do aclamado diretor chinês Zhang Yimou (Herói): Flowers of War relata a traumática invasão japonesa na China em 1937, mas precisamente na cidade de Nanquim – onde mais de 200 mil pessoas foram mortas. A grande curiosidade do filme, no entanto, está em seu protagonista, o astro americano Christian Bale, mas conhecido como o Batman da trilogia de Christopher Nolan e ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante ano passado, por O Vencedor.

Na coletiva de imprensa que aconteceu à noite, horas antes da premiere do longa, Bale conversou com a imprensa sobre a oportunidade de fazer um filme em chinês, sendo dirigido por um cineasta que não fala inglês. “Tinhamos a ajuda de un intérprete, e foi uma experiência incrível. Fazer um filme chinês, com um diretor como o Yimou foi algo muito marcante na minha carreira”, revelou o ator, que interpreta um americano perdido no meio da guerra, que acaba se refugiando em um colégio junto com dois grupos bem differentes: pequenas estudantes de 12 anos e refinadas prostitutas chinesas. No meio da batalha que se instala em Naquim, ele se veste de padre para tentar salvar as meninas e as prostitutas.

Yimou é um dos diretores mais celebrados na Berlinale. Em 1987 ele ganhou o Urso de Ouro por O Sogro Vermelho, e desde então lança todos os seus filmes durante o festival, ainda que fora de competição. O cineasta explicou a importância de Bale no projeto.

“Eu queria mostrar um episódio difícil da nossa história, um trauma nacional. E queria um personagem que fosse incomum naquele cenário, para dar consciência a todos ao que acontecia. E é por isso que quis Bale neste trabalho.”

O grandioso filme de 141 minutos de duração chama a atenção pelo forte apelo visual e a ótima interpretação de Bale. Flowers of War ainda não tem distribuição no Brasil.

Na mostra competitiva, três filmes se destacaram: o italiano Cesare deve morire, dos veteranos irmãos Taviani – relato sobre a montagem da peça Julio Cesar, de Shakespeare, em um presídio, traçando um paralelo entre os presos e os personagens da peça  -, o filipino Captire, de Brillante Mendonza, e o alemão Barbara, de Chiristian Petzold. Em um festival morno, esses filmes aparecem como possíveis vencedores do Urso de Ouro.

 

por Janaina Pereira, de Berlim

Faltava uma estrela que realmente tivesse humor para encarar o frio alemao. E essa estrela apareceu neste domingo, dia 12, no quarto dia do Festival Internacional de Berlim: o ator inglês Clive Owen (foto) esbanjou simpatia na coletiva de Shadow Dancer, filme exibido fora de competição.

O filme é o novo trabalho do diretor James Marsh (do premiado documentário O Equilibrista), e traz ainda no elenco a jovem atriz Andrea Riseborough. A trama, baseada no livro homônimo de Tom Bradby, responsável também pela adaptação, gira em torno de uma mulher (Riseborough), ex-integrante da organização terrorista irlandesa IRA, que torna-se informante da inteligência britânica. Quando ela é presa por causa de um atentado abortado em Londres, é obrigada a revelar seu passado para conseguir voltar para sua família.

Owen, Riseborough e Marsh conversaram longamente com os jornalistas. O ator comentou o que chamou sua atenção para trabalhar neste filme. “Me atraio muito por personagens com dilemas, pois esses dilemas são responsáveis pelo drama da história. Eu não preciso necessariamente julgá-los ou gostar dos meus personagens. Eu tenho que entender o que eles fazem e o que pensam para poder fazer bem o meu trabalho.”

O ator também ressaltou sua admiração pelo diretor James Marsh. “Estava terminando um projeto quando aceitei o papel. Não tive tempo para me preparar. Mas ao ler o roteiro, brilhantemente escrito, tive certeza que o filme iria dar certo. Quem cresceu na Inglaterra e tem a minha idade, se lembra que esse conflito estava na mídia todos os dias. Aí ao voltar a Belfast, me dei conta de como tudo isso ainda é recente.”

 Shadow Dancer ainda não tem distribuição brasileira.

Outro destaque do dia foi o Meteora, coprodução Grécia-Alemanha dirigida por Spiros Stathoulopoulos. O filme desponta como preferido  – ate agora – dos criticos. A trama conta a história de amor entre um monge (Theo Alexander) e uma freira (Tamila Koulieva) que vivem em um monastério no alto de montanhas rochosas em Metéora. A historia tem poucos diálogos e o diretor usa a animacao para contar uma parte da trama, especialmente quando aborda os conflitos internos dos protagonistas.

por Janaina Pereira, de Berlim

 

O frio continua assustando – a temperatura mais “quente” em Berlim esta semana foi -5 graus – e gelada tambem tem sido a exibição dos filmes no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Até o momento, 7 dos 18 concorrentes ao Urso de Ouro já foram exibidos para a imprensa e nenhum apareceu como favorito. O grande destaque deste sábado, dia 11, foi premiere mundial de In the Land of Blood and Honey , filme de estreia de Angelina Jolie como diretora. O longa foi exibido esta noite, fora de competição.

A atriz causou furor na coletiva de imprensa, disputada – literalmente – a tapa pelos jornalistas. Depois de muita confusão e quase 1 hora de atraso, Jolie e os atores do filme – todos desconhecidos – conversaram muito pouco com os jornalistas. O tema escolhido pela diretora – que também assina o roteiro – para seu primeiro trabalho atrás das cameras – uma história de amor que nasce junto com a guerra na Bósnia – foi sem dúvida ousado, assim como a coragem de Jolie ao mostrar cenas de estupro, crueldade e horror.

“Quando se faz um filme de guerra, sempre surge a questão sobre o quanto deve ser mostrado. O que se vê no filme é só uma parte. Nas estimativas da ONU, 50.000 mulheres foram estupradas, quando na realidade, uma mulher estuprada já é muito. Não há como recriar tudo. E filme de guerra tem de ser difícil de assistir mesmo, porque a realidade também foi assim. Eu não mostrei tudo que eu pude, especialmente em relação às crianças, porque eu também sou mãe e isso foi muito difícil”, revelou a diretora na coletiva.

De poucos sorrisos, Angelina Jolie não se mostrou confortável com os jornalistas. Antes que alguém pudesse concluir a pergunta, ela já interrompia e dava a resposta, sempre enfática. Questionada sobre o filme servir como ponto de vista das Nações Unidas (ONU), ela foi dura na resposta.,

“Isso não é um documentário, é uma interpretação artística. Espero que mais filmes explorem outras partes dessa história. Pois, de fato, existem muitas histórias pra contar e várias maneiras para mostrá-las. Eu faço o melhor que posso. Vou envelhecendo, me educando sobre o mundo e vendo que eu ainda tenho muito que aprender. Viajei durante 10 anos, vi muita coisa, e fico feliz de poder mostrar pra vocês um tema que realmente importa”.

 In the Land of Blood and Honey ainda não tem distribuição garantida no Brasil.

 

por Janaina Pereira, de Berlim

Indicado ao Oscar de melhor filme e melhor ator coadjuvante, o drama Tão Forte e Tão Perto, de Stephen Daldry, teve sua premiere europeia na noite desta sexta, 10, no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Os astros Tom Hanks e Sandra Bullock, que mesmo tendo pequena participação no filme, tem o nome em destaque no cartaz, não compareceram ao Festival. Para acompanhar o diretor Stephen Daldry, estão em Berlim os atores Thomas Horn e Max von Sydow (foto), que conquistaram os jornalistas na entrevista coletiva de hoje, e foram as principais atrações do segundo dia do festival.

O pequeno Thomas, 14 anos mas aparentando menos idade, mostrou desenvoltura na coletiva, e causou risadas ao responder segurando o fone de ouvido como se fosse um microfone. O lapso, que arrancou gargalhadas do próprio Thomas, mostrou o jogo de cintura do pequeno astro, que comove em Tão Forte e Tão Perto. Ele vive Oskar, que para superar o trauma da perda do pai (Hanks), vítima dos ataques às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, percorre a cidade em busca de uma pessoa de sobrenome Black, que pode lhe dizer onde a chave que seu pai deixou serve.

A peregrinação conta com a ajuda de um senhor mudo (Von Sydow), que aparentemente aluga um quarto na casa da avó de Oskar. A cumplicidade dos dois é a alma do filme, feito para emocionar e arrancar lágrimas. Daldry, que ja havia mostrado extrema habilidade em dirigir criancas no ótimo Billy Elliot, consegue uma atuação primosa de Thomas Horn – ainda que a indicação ao Oscar de ator coadjuvante seja de Max von Sydow.

“Não tem nada de complicado em dirigir crianças, é a mesma coisa que trabalhar com atores adultos. Ensaiamos muito. E posso dizer que Thomas estava bem preparado”, revelou o diretor.

Tão Forte e Tão Perto tem estreia prevista para o dia 24 de fevereiro no Brasil, com distribuição da Warner.

por Janaina Pereira, de Berlim

 

Comecou nesta quinta, 9 , a 62ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim. O filme escolhido para a abertura foi a co-produção franco-hispânica Les Adieux à la Reine (“Farewell My Queen”), ambientado às vésperas da Revolução Francesa e estrelado por Diane Kruger como Maria Antonieta. A atriz alemã, que vem fazendo sucesso em Hollywood, lidera um elenco francês que inclui Lea Seydoux, que participou de Meia-noite em Paris, de Woody Allen, e está em Missão Impossível Protocolo Fantasma, ao lado de Tom Cruise, e Virginie Ledoyen, mais conhecida internacionalmente por seu papel em A Praia, com Leonardo DiCaprio.

Dirigido pelo francês Benoit Jacquot, o filme conta a história das agitadas últimas horas no Palácio de Versalhes do ponto de vista dos servos. Na abertura, em uma noite em que os termômetros registravam -8 graus, Diane Kruger monopolizou todos os flashes.

Les Adieux à la Reine, que ja tem distribuição brasileira pela Imagem Filmes, é uma das 18 obras concorrendo ao Urso de Ouro no festival alemão. Ainda nesta edição do Festival de Berlim, destacam-se as premieres europeias de Tão forte e tão perto, de Stephen Daldry, e Haywire, de Steve Soderbergh, além da estreia de Angelina Jolie como diretora em  In the Land of Blood and Honey.

O festival também vai homenagear a favorita ao Oscar deste ano, Meryl Streep, que receberá o Urso de Ouro honorário pelo conjunto de sua carreira e deve chegar a cidade na próxima semana.

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