Festival do Rio 2009: O segredo dos seus olhos
setembro 29, 2009

por Janaina Pereira
Fazer um bom filme, de qualquer gênero, é algo difícil. Reunir, na mesma produção, comédia, romance e suspense e conseguir um resultado perfeito parece praticamente impossível. Para cineastas comuns, talvez. Para o talentoso Juan José Campanella, não. O argentino retoma a parceria com o ator Ricardo Darín – trabalharam em O filho da Noiva, O mesmo amor, a mesma chuva e Clube da Lua – para fazer o singular O segredo dos seus olhos, um dos destaques do Festival do Rio 2009.
A trama é bem simples: o oficial de justiça recém aposentado Benjamín (Darín) começa a escrever um romance policial sobre um caso que ele mesmo investigou em 1974. Ao revisitar o passado pelas palavras e pela memória, ele questiona o resultados das investigações e a forma como conduziu sua vida até então. Entre indas e vindas no tempo, descobrimos como foi o crime e o que ele causou aos envolvidos, além de desvendarmos que as decisões passadas ainda podem ser fatais no presente.
O roteiro, baseado no romance de Eduardo Sacheri e adaptado pelo próprio diretor, tem todos os elementos que enriquecem qualquer história, mas que nem sempre são usados da melhor forma. Aqui, no entanto, tudo funciona muito bem: pitadas sutis de comédia e romance com toques de suspense policial intenso, culminando com momentos sufocantes até chegar em seu final com uma apoteose digna de filmes de Hitchcock.
Para um roteiro tão bom, o elenco só podia ser brilhante. Falar que Ricardo Darín dá um espetáculo em cena é cair no lugar comum: o ator brilha com um olhar carregado de paixão e veracidade, mostrando-se grandioso a cada cena. Soledad Villamil envolui claramente nos tempos distintos da trama, amadurecendo com a personagem. Ela é cativante, mas contida, como a Irene do passado, e direta e sensível como a Irene do presente. Porém, o destaque extremo fica por conta de Guillermo Francella,que interpreta Sandoval, melhor amigo de Benjamín. Ponto cômico do longa, ele consegue ir do riso às lágrimas com rara desenvoltura.
Vale ressaltar a trilha sonora que pontua bem a história, indo do romance ao drama, e passando pelo suspense,sem perder o ritmo; a fotografia ímpar – reparem na cena em que Irene e Benjamín se despedem na estação de trem -, a maquiagem que transforma os atores na passagem de 25 anos da trama e a direção segura de Campanella,com enquadramentos de câmera e planos sequênciais belíssimos (destaque para as cenas no jogo de futebol do Racing), além do ótimo trabalho com seus atores.
O segredo dos seus olhos é tenso e intenso, e embora transite por vários gêneros, no final das contas é uma grande história sobre o poder da paixão em nossas vidas. Para ver, rever e aplaudir de pé.
Oi Flor!
Adorei o comentário!!!Conta mais…
Texto bonito, fluido e sutil. Parabéns!
Adoro o Campanella e o Darín…
Deu vontade de ver agora.
bjs
Regina
Sutil Comunicação
Melhor filme do festival que vi até então – já vi sete filmes, dentre eles Cinco Dias sem Nora e Um namorado para minhas esposa, tb muito bons. Os argentinos podem até não saber jogar futebol como nós, mas a gente não sabe fazer filme como eles de forma alguma…
Concordo. Na íntegra…
Gostei muito do teu texto e da crítica. Acabei de ver o filme, e conseguistes traduzir de forma sucinta e fluida o que eu também achei dele.
Abs.
Olá, bom dia. Estou indo ver esse filme hoje e gostei da resenha feita por você. Tenho escutado ótimos comentários sobre o filme e acho que vai valer muito a pena assistir.
Um abraço.
Um filme maravilhoso. Cativante até o último segundo. Um dos melhores filmes do ano.
Estou curiosa quero muito assistir esse filme !!!
Concordo com tudo que vc escreveu.Tb lembrei de Hitchcock no final. E o filme ainda consegue falar da ditadura, a cena do elevador pode parecer simples mas é isso q é a ditadura. É para aplaudir de pé mesmo.
Aplaudo de pé a crítica e o filme! Isso é CINEMA ! Desde “A Vida dos Outros”, o melhor filme que vi!
[...] final: é tenso, melancólico, engraçado, emocionante, triste, bonito. Achei uma sinopse muito boa aqui e concordo com cada palavra. As cenas da perseguição no jogo do Racing são memoráveis e o [...]