2012

Novembro 12, 2009

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por Janaina Pereira

O mundo vai acabar em 2012. A piada, que vem fazendo parte do cotidiano dos cinéfilos brasileiros, ganhou força depois do apagão que tomou conta do País na última terça, 10 de novembro. 2012, o filme-catástrofe da vez, estreia desta sexta-feira 13, não poderia chegar em hora melhor no Brasil. O longa do diretor Roland Emmerich é mais uma produção que destrói o mundo – ou parte dele.

Emmerich foi esperto ao aproveitar o bom momento internacional do Rio de Janeiro e colocar a cidade na rota do fim do mundo. O primeiro grande erro de 2012 vem daí: o poster que mostra o Cristo Redentor (foto), um dos maiores símbolos do turismo nacional, sendo destruido, está na pespectiva errada. Desde quando o Cristo fica ali grudado no Pão de Açúcar? Fala sério.

Para piorar, no filme o Cristo é destruido de forma ridícula, em uma cena rápida que aparece como ‘transmisssão da Globo News’. Tanto alarde para nada.

Se para nós esta era a parte mais interessante, o que dizer do resto? Muito pouco. 2012 é aquilo que se espera dele: efeitos especiais de primeira em um roteiro chinfrim.

Todos os clichês que fizeram o sucesso dos filmes catástrofes nos anos 1970 estão lá: um bom ator como protagonista – aqui é John Cusack, no passado foram Paul Newman e Steve McQueen em Inferno na Torre e Gene Hackman em O destino do Poseidon – família que tenta superar seus problemas, casais separados que ainda se amam, o presidente americano do bom (dessa vez ele é negro e ninguém menos que Danny Glover!), outro político qualquer do mal, e por aí vai.

O herói que tenta salvar a família é John Cusack, mas antes que ele aparece efetivamente em cena, temos mais de uma hora de explicações sobre o porquê do mundo acabar. 2012 começa, na verdade, em 2009, quando um cientista indiano percebe que a Terra está com seus dias contados e neste trecho tem uma explicação detalhada sobre profecias maias.

E quando chegamos, finalmente, a dezembro de 2012, as coisas começam a explodir. Com o alinhamento da Terra com os outros planetas o mundo começa a sofrer uma série de catástrofes e se torna quase inabitável, resultando em uma morte massiva de seres vivos por todo planeta.

O governo dos Estados Unidos – sempre eles! – decide construir arcas insubmergiveis para salvar uma parte da população, para depois reconstruir novamente a civilização. Claro que eles não vão construir as arcas, né? O trabalho duro fica com os chineses. O clima é de Arca de Noé, mas agora é uma arca moderna, ou melhor, são quatro arcas made in China.

Os americanos podiam sacanear e mostrar as arcas partindo ao meio antes do fim da travessia, mas não, o objetivo do filme não é questionar a qualidade dos produtos chineses, mas fazer uma produção globalizada – e as espécies que vão sobreviver são escolhidas de acordo com a quantidade de grana que possuem em seus bolsos, não pelas suas nacionalidades Multiculturalidade, nem pensar.

Mas tem sempre um pé rapado tentado fura a fila, no caso John Cusack & família. E nesta odisseia, enquanto o mundo vai pelos ares e os ricos tentam um lugar nas arcas, lá se vão 158 minutos da sua vida.

Roland Emmerich é fissurado mesmo por catástrofes – Independence Day e O dia depois de amanhã são outras pérolas dele – e dessa vez não poupa esforços para explicar sua história. Não me convenceu. Mas ainda tem gente que curte esse tipo de filme – eu conheço meia dúzia de pessoas que não vê a hora de conferir de perto o mundo indo para a ponte que partiu.

Se você é desses que gostam de filmes sem cérebro, faça bom proveito. Mas, admito, em uma coisa Emmerich acertou: não é Denzel Washington, o héroi americano deste século, quem salva o mundo. Menos mal.

Veja o trailer de 2012 .

 

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por Janaina Pereira

Um retrato detalhado do breve caso entre o compositor russo Igor Stravinsky e a pioneira da moda Coco Chanel no início dos anos 1920 é um dos destaques da Mostra de SP.

Coco Chanel & Igor Stravinsky, dirigido pelo holandês Jan Kounen, e estrelado por Anna Mouglalis e Mads Mikkelsen nos papéis-título, é baseado em romance de Chris Greenhalgh que mistura fato e ficção.

O filme abre com a infame estreia de O Rito da Primavera em Paris, 1913, quando a trilha musical de Stravinsky e a coreografia experimental de Vaslav Nijinsky foram recebidos com vaias e gritos, quase um tumulto generalizado.

Sete anos depois, Chanel, que compareceu à estreia, é apresentada ao empobrecido compositor e convida ele e sua família a se mudar para sua vila. Embora os fatos do que aconteceu durante a breve estadia da família Stravinsky embaixo do teto de Mademoiselle Chanel sejam nebulosos, no filme os personagens têm um tórrido caso de amor que alimenta a criatividade de ambos.

Impossível não comparar este filme a outro que também tem a estilista como tema. Em Coco antes de Chanel, de Anne Fountaine, em cartaz em circuito, Gabrielle Chanel – vivida pela ótima Audrey Tautou – é uma mulher forte, determinada e apaixonada por suas criações.

Em Chanel & Stravinsky, a mulher que revolucionou a moda é arrogante, dissimulada e sem pudor, capaz de se envolver com um homem casado diante dos olhos da esposa dele – e sem se sentir culpada por isso.

Anna Mouglalis, que interpreta Chanel no longa de Kounen, é alta, magra e possui uma marcante voz grossa, totalmente o oposto da mignon Audrey, que imprimiu mais delicadeza à sua Coco.

De qualquer forma, Coco Chanel & Igor Stravinsky vale pela sua impecável direção de arte e por mostrar, com rara ousadia, o lado devasso de uma das mulheres mais influentes do século XX.

Chanel, mais do que nunca, está na moda.

 

Mostra de SP 2009: Vencer

Novembro 4, 2009

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por Janaina Pereira

Um dos filmes mais vistos na Mostra de SP é Vencer (Vincere), do italiano Marco Bellocchio, drama histórico que acompanha a história real de Ida Dalser, supostamente a primeira esposa de Benito Mussolini.

O filme começa na década de 1910, com o futuro líder fascista (vivido por Filippo Timi) falando que Deus não existe para um grupo de católicos de Trento, em nome do grupo socialista do qual  se tornaria porta-voz. A ousadia de Mussolini encanta a jovem Ida (Giovanna Mezzogiorno), e os dois logo se tornam amantes às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Segundo a história oficial, o casal teve um filho, Benito Albino Mussolini, nascido em 1915, e o pai o reconheceu legalmente, mesmo sendo casado com outra mulher, Rachele (Michela Cescon). Na época, Ida não sabia que Mussolini era casado e já havia vendido todos os seus bens para financiar o jornal do então militante político.

Nos anos 1920, já conhecido como Il Duce (O Líder), Mussolini abandona Ida que, revoltada, exige seus direitos. Ela acaba sendo separada do filho e internada em um hospício, e passa o resto de sua vida alternando entre clínicas psiquiátricas e mantendo o discurso de ser a primeira esposa do ditador.

Sem ter como provar o casamento, Ida é coagida a negar o envolvimento com Mussolini e assim se livrar do hospício. Ela, no entanto, mantém sua palavra, e aí vem toda a força do filme ao apontar as atitudes opostas de Ida e do ditador.

Enquanto Il Duce discursa para as massas, depois de fazer as pazes com a Igreja, contruindo sua postura dissimulada que o mundo conheceu bem, Ida Dalser mantém sua palavra e permance até o fim afirmando sua condição de esposa. Enquanto isso, o filho do casal cresce à sombra do pai, e seu destino não é muito diferente do de sua mãe.

Vencer foi filmado como uma grande ópera, com músicas dramáticas pontuando as cenas mais densas, o que o torna cansativo várias vezes. Na segunda metade do filme, o diretor Bellocchio optou por usar cenas reais de Benito Mussolini, o que dá mais veracidade ao longa que mostra, acima de tudo, como uma imagem política e o poder de persuassão são construídos.

Mussolini começou enganando Ida para depois enganar meio mundo. Seu discurso manipulador não é muito diferente do que se ouve por aí, nos dias de hoje.  Por isso o filme de Marco Bellochio é muito mais do que um relato histórico; é, também, uma crítica à política.

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por Janaina Pereira

Quando Heath Ledger morreu, em janeiro de 2008, ele estava no meio das filmagens de O mundo imaginário do Dr. Parnassus, de Terri Gilliam (Os doze macacos) – um dos destaques da Mostra de SP. Para qualquer diretor numa situação dessas, a morte de um dos atores principais de seu filme seria motivo para cancelar a produção. Não para Gilliam.

O cineasta, com a ajuda dos atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel – que assumiram o papel de Ledger - continuou a produção e fez de Dr. Parnassus uma das melhores coisas que o cinema já produziu.

Tudo funciona perfeitamente no filme, desde a parte técnica – direção de arte, fotografia, figurino e efeitos visuais e sonoros são impecáveis – ao  roteiro criativo e elenco que brilha  – e aí bate uma saudade enorme de Heath Ledger, realmente muito bem no filme.

O modo como os atores dão continuidade ao personagem do astro morto precocentemente é o grande charme do longa. Depp, Law e Farrel surgem dentro do tal mundo imaginário do Dr. Parnassus, onde você pode ser quem quiser e ainda fazer o que desejar, e é justamente a mudança de rosto do personagem o que torna a história mais interessante.

Dr. Parnassus (o ótimo Christopher Plummer) é um imortal que comanda uma trupe no melhor estilo circense. Quem entra em seu misterioso espelho conhece um mundo a parte, baseado nas mais surreais imaginações. O velho homem, no entanto, é surpreendido com a visita do diabo, chamado Nick (Tom Waits), que aparece para fazer uma cobrança.

No passado, Parnassus fez um pacto com o diabo envolvendo sua filha, Valentina (Lily Cole) e agora tenta dribrá-lo para não perder a jovem. Enquanto isso, a moça está se encantando pelo misterioso Tony (Ledger, Depp, Law, Farrel), que foi salvo por ela  e, aparentemente, tenta ajudar Parnassus a não perder a filha, mas na verdade está fugindo de seu próprio destino.

A relação entre os personagens, somados aos efeitos visuais que as viagens pela mente de Parnassus podem causar, transformam a história em algo mítico e encantador, uma espécie de realismo fantástico com direito a lição de moral.

Porque O mundo imaginário do Dr. Parnassus, na verdade, é sobre os pecados que cometemos, os erros que não assumimos, as histórias que deixamos de viver, o capitalismo que nos consome e os sonhos que se perdem pelo meio do caminho.

E é, claro, uma ideia genial de Gilliam, um cineasta que conseguiu fazer um grande filme e ainda uma bela homenagem a  Heath Ledger.

I Love You Phillip Morris

por Janaina Pereira

Muito se falou sobre I love you Phillip Morris, o filme que traz Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro como homossexuais. Quem espera um filme polêmico, vai encontrar uma cena mais ousada para os convencionais padrões americanos. Nada que O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, já não tenha feito.

Amor entre pessoas do mesmo sexo já deixou de ser novidade na telona, e talvez a diferença aqui seja o humor como fio condutor da história, baseada na vida de Steve Russell, um pilantra no melhor estilo de Prenda-me se for capaz, aquela comédia simpática de Spielberg, com Leo di Caprio e tom Hanks.

Eu, particularmente, não gosto de Jim Carrey, embora ele tenha feito dois dos meus filmes preferidos – O show de Trumam e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Acho que ele bem dirigido consegue se sair bem, mas em comédias Carrey costuma ser caricato demais.

Em Phillip Morris não é diferente. Ele interpreta Russel, policial bem casado que após um acidente resolve assumir sua homossexualidade. Para viver no mundo gay, Russell vira um picareta, capaz de qualquer ato ilegal para conseguir dinheiro fácil. E é aí que Carrey perde o rumo, abusando das caretas e tornando o personagem uma caricatura de si mesmo.

Para sorte de Carrey – e do público – em uma das prisões de Russell ele conhece o Phillip Morris do título, brilhantemente interpretado por Ewan McGregor. Graças ao ator, o filme ganha novos ares e se torma muito mais agradável.

Russell e Morris se apaixonam e essa relação vira uma história de amor e falcatruas com situações dramáticas, mas também divertidas.

E Rodrigo Santoro? Ele está lá, em quatro cenas, como o primeiro namorado de Russell, antes deste ir para a cadeia. Santoro aparece como terceiro nome no crédito, e seu personagem acaba perdido no meio do filme, ressurgindo já no final para sabermos que fim ele levou.

I Love You Phillip Morris é um mistura bem humorada de Filadélfia e O Segredo de Brokeback Mountain. Dá para ver e se divertir, especialmente porque McGregor teve a delicadeza de compor seu personagem sem esteriótipos, o que torna o filme melhor do que de fato é.

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por Janaina Pereira

Conhecido por dramas como Contra a Parede (Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2004) e Do Outro Lado (prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes de 2007), o diretor alemão de origem turca Fatih Akin realizou sua primeira comédia em Soul Kitchen, um dos maiores sucessos da Mostra de SP.

E o cineasta não decepciona: o filme é leve, simpático, com roteiro simples mas redondinho e um personagem principal carismático, defendido com charme pelo ator Adam Bousdoukos, co-autor do roteiro com Akin.

Parte da história é baseada na experiência real do próprio Bousdoukos, um alemão de origem grega que teve um restaurante no bairro de Ottensen, em Hamburgo, o Taverna Grega. Ele  interpreta o protagonista Zinos Kazantsakis, que enfrenta uma série de problemas para administrar seu restaurante de bairro, o Soul Kitchen do título.

Zinos está passando por uma fase ruim: o restaurante pode ser fechado por problemas fiscais e de fiscalização sanitária, sua namorada vai se mudar para Xangai e seu irmão, um presidiário que passa algumas horas do dia fora da cadeia graças ao benefício prisão-albergue, só arruma confusão.

Para piorar, ao arrastar uma pesada máquina no restaurante, Zinos desloca um disco em sua coluna e passa a conviver com constantes dores. Mas ele não se intimida com nada. Com simpatia e bom humor, e embalado por músicas que inspiram o seu dia-a-dia, ele vai tentado resolver os problemas, um a um.

Com personagens bem construídos em um roteiro que não cai no lugar-comu, apoiado numa ótima trilha sonora e em um elenco excelente, Akin faz de Soul Kitchen uma das melhores produções do ano, daquelas que deixam os espectadores felizes por ter assistido algo tão simples mas muito legal.

Impossível não se envolver com a história e não se render ao charme de Soul Kitchen, um filme absolutamente fofo.

Mostra de SP 2009: Ricky

Novembro 1, 2009

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por Janaina Pereira

O realismo fantástico, tão comum em livros, nem sempre é bem recebido no cinema. O espectador, nornalmente, espera histórias verossímeis nas quais ele possa se identificar. Por isso, é preciso mente aberta para ver Ricky, de François Ozón, em exibição na Mostra de SP.

O filme, aparentemente simplório, guarda uma surpesa que pode desagradar a muitos, mas deve ser vista com a mesma poesia que Ozon colocou na história.

Acompanhamos a  operária Katie (Alexandra Lamy), uma mulher que vive com a filha pequena depois do abandono do marido. Na fábrica em que trabalha, conhece o simpático espanhol Paco (Sergi López) e passam a viver juntos até que ela engravida.

 A chegada do bebê Ricky desestrutura o casal. Paco vai embora quando a mulher o acusa de maltratar o bebê, que aparece com machucados no corpo. Mas não se trata de uma marca comum de maltratos. Ricky é uma criança especial, e Katie terá que conviver com isso.

Com um argumento um tanto arriscado,  Ozón trata o bizarro com delicadeza, fazendo um longa que coloca o amor de mãe – único e incondicional – como o foco das atenções. Mais do que ter um filho diferente, é o modo como Katie o trata que faz a diferença. E quem consegue enxergar isso se encanta com Ricky, um filme de poesia singular.

Viajo-Porque-Preciso-Volto-Porque-Te-Amo

por Janaina Pereira

Viajo porque preciso, Volto porque te amo tem um dos títulos mais significativos que já vi. E o filme também tem uma marca pessoal e intransferível. Os aclamados Marcelo Gomes e Karin Ainouz conseguem uma narrativa ímpar com a história do geólogo José Renato (Irandhir Santos), enviado para realizar uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar todo o Sertão,  região semi-desértica,  isolada,  situada no Nordeste do Brasil.

Mas onde está o protagonista no filme? A gente não vê. Ele está lá, com sua voz marcante, mas seu rosto fica na imaginação de cada um. O que fica claro são os sentimentos do personagem: a solidão e a mágoa se confundem com a paisagem árida pela qual ele passa.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo se estrutura como diário, ou impressões, de viagem. Sob a onipresente voz off de Irandhir Santos – que comenta as imagens, rememora o passado e fala diretamente com sua amada, Joana -, Karim Aïnouz e Marcelo Gomes se utilizam de diversos suportes de captação para registrar as cenas através do ponto de vista do geólogo: 16mm, 35mm, Super-8, câmera digital, máquina fotográfica.

As múltiplas imagens (que os diretores coletaram entre 1999 e 2009) são fragmentadas, efêmeras e instáveis, tais quais os sentimentos conflituosos do personagem em relação à esposa – que ao mesmo tempo ama e odeia, que ora deseja retornar para casa, ora prefere que a pesquisa de campo nunca termine.

Viajo porque preciso, Volto porque te amo é uma viagem original e inesquecível, uma busca de um homem em torno de si mesmo e da saudade que o corrói, mas também o movimenta.

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Por Janaina Pereira

Hoje não foi um dia como outro qualquer para os fãs de Lua Nova, o segundo episódio da saga Crepúsculo – o arrasa-quarteirão da vez. Em uma ensolarada tarde de domingo, véspera de feriado, os atores Kristen Stewart (a Bella) e Taylor Lautner (o Jacob) participaram de uma coletiva de imprensa no hotel Grand Hyatt, em São Paulo.

Além dos jornalistas ávidos para ver 15 minutos inéditos do filme – que não foi exibido, sendo apresentado apenas trailers já conhecidos de Lua Nova – e conhecer de perto as estrelas teen do momento, uma pequena multidão se formou na porta do hotel.

Meninas entre 10 e 16 anos gritavam, choravam e imploravam por uma aparição do casal protagonista do longa que chega dia 20 aos cinemas. Em vão. Kristen e Taylor posaram para fotos, participaram de forma simpática da coletiva e só. Sobrou para os jornalistas explicarem para as fãs ensandecidas que não tocamos ou batemos papo com os atores. Era trabalho. E foi só disso que falamos.

Kristen Stewart impressiona pela maturidade. Aos 20 anos, ela deixou claro que sabe muito bem o que Bella fez em sua vida. Descolada, usando dois relógios, um em cada braço – será que para controlar a hora em outra parte do mundo e não perder contato com Robert Pattinson? – e bem mais estilosa que sua personagem, a atriz disse que Bella cresceu e apareceu neste segundo filme.

“Em Crepúsculo Bella acreditava nela mesma. Agora Edward rompe com ela, que fica perdida e só se recupera com a ajuda de Jacob. Lua Nova, o livro, foi escrito do ponto de vista dela. Temos uma história mais reflexiva e filosófica, os personagens estão mais maduros e Bella está virando uma mulher”, afirma a franzina e despenteada Kristen.

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Se Bella está se tornando adulta, Jacob tem grande influência nisso. O personagem de Taylor Lautner, de apenas 17 anos, é o protagonista de Lua Nova. Isso no livro. No filme, embora tenha muito destaque, Jacob ainda precisa dividir as atenções com o galã de Crepúsculo, Robert Pattinson. O jovem ator, porém, mostra que sabe da importância de seu personagem e rouba a cena na coletiva. O filme pode não ser dele, mas a entrevista é.

“Assim que acabei Crepúsculo, onde tive apenas quatro cenas, comecei a malhar e comer muito para ganhar massa muscular. Eu sabia que precisava mudar fisicamente para ser o Jacob de Lua Nova”, explica Taylor.

A dedicação do ator impressiona, afinal, por um bom tempo, boatos de que ele não repetiria o papel vagaram por aí. Mas Taylor conseguiu e não decepcionou as fãs.

“Eu acho que na cabeça de todo mundo, Taylor era a pessoa certa para o papel. Ele se dedicou muito para isso”, disse Kristen, que ao longo dos 30 minutos de entrevista, foi só elogios para o companheiro de set. No entanto, a atriz deixou bem claro sua torcida para Robert “Edward” Patinsson ficar com Bella.

“O Jacob é perfeito para ela. A insegurança de Bella desaparece com o Jacob. Mas, infelizmente, as meninas não tomam as melhores decisões e o Edward é a alma gêmea de Bella. O Jacob é o grande amigo, o Edward o grande amor.”

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Os atores contaram que ler a série de livros de Stephanie Meyer foi importante para compor os personagens. E Kristen foi além: confessou que foi o livro que a fez decidir fazer Crepúsculo, e não o roteiro.

“Li o roteiro e achei que a personagem não tinha a ver comigo. Aí me falaram que o livro era muito bom e quando eu li, percebi que podia tirar algo a mais dali. Cada capítulo do livro é importante para fazermos os filmes.”

 Há pouco mais de 24 horas no Brasil, Kristen e Taylor só saíram do hotel uma única vez: para conhecer uma churrascaria. Taylor gostou do churrasco brasileiro, e Kristen ficou impressionada com a grandiosidade de São Paulo.

Ao falar dos fãs, que faziam plantão desde a manhã de sábado na porta do hotel, Taylor mostrou sua gratidão. “Nossos fãs são muito apaixonantes e acho que o Jacob tem muitos fãs no Brasil. Também gosto da personalidade dele.”

Para esses fãs, os atores deixaram suas impressões sobre o novo capítulo da saga Crepúsculo: é um filme bem diferente do anterior. “Crepúsculo teve uma esfera menor, porque a diretora era mais independente. Em Lua Nova a coisa desacelera, é um filme mais vívido”, diz Kristen.

Cabe a Taylor Lautner definir o que vem por aí em Lua Nova. “Minha cena preferida do filme é uma de ação, porque os meninos gostam de ação. Mas Lua Nova não é só isso, e é mais do que uma história de vampiros. É uma história de amor.”

Agora é esperar para ver se o amor de Bella e Edward vai sobreviver ao charme de Jacob. Se depender do carisma de seu intérprete, esse duelo entre vampiro e lobisomem vai render.

Fotos: Kleiton André L. do Nascimento

 

Mostra de SP 2009: Partir

Outubro 31, 2009

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por Janaina Pereira

Partir , drama da diretora francesa Catherine Corsini (Os Ambiciosos), traz a inglesa Kristin Scott Thomas, uma das minhas atrizes preferidas, no papel de Suzanne, uma mulher bem casada e aparentemente feliz em sua vida confortável.

Um dia, porém, cruza o seu caminho Ivan (Sergi Lopez), um homem recém-saído da prisão. A atração entre os dois é tão forte a ponto de Suzanne largar o marido e os filhos para começar uma nova vida. Mas as coisas, claro, não vão ser tão simples assim.

O tema batido da mulher que redescobre o amor e a alegria de viver oscila entre bons e maus momentos e consegue alcançar as contradições de alguém que resolve entregar-se a uma aventura como essa, mas sem resistir aos clichês.

Mas o filme tem um grande trunfo: Kristin dá show, como sempre, falando em francês fluente. Sua personagem é uma mulher apaixonada, que não mede esforços para ficar ao lado do homem que ama.

Partir é um filme até curto diante da densidade da trama, não se alongando em reflexões ou conclusões. É daquelas histórias em que o amor é colocado como essencial ao ser humano e deve estar acima de tudo e de todos. Bem bacana.