Guerra ao Terror
fevereiro 4, 2010
James chega para substituir o sargento Matt Thompson (Guy Pierce), que vai pelos ares na abertura da história. Faltam 38 dias para terminar a missão desse grupo, formado também por outros dois militares, o sargento J.P. Sanborn (Anthony Mackie), chefe do trio, e o soldado Owen Eldridge (Brian Geraghty), que dá cobertura aos dois. Claro que esses 38 dias serão longos e insanos, e ao longo de 131 minutos, acompanhamos a saga deste trio em Bagdá.
Os soldados são os invasores, cercados de inimigos, em missão supostamente “pacificadora”. Naturalmente, não questionam muito o sentido do que estão fazendo pois são militares, com uma missão a cumprir. E há todo aquele heroísmo em desarmar bombas e tal. É tão viril, é tão americano. E o que Kathryn explora não é apenas o lado psicólogico dos militares, nem a estupidez da guerra – isso a gente já viu antes em muitos filmes. A diretora aposta nesse lado viciante para mostrar porque os americanos não vivem sem os confrontos. Um caminho brilhante traçado pelo roteiro de Mark Boal, jornalista que passou semanas com o Exército em Bagdá, em 2004.
A primeira hora da produção é dispersa e sem nada que me convencesse. Bocejei. Achei a direção, inclusive, lenta demais. A partir da metade, em uma cena especifica – a relação de James com um menino – tudo muda. O filme cresce e isso se deve não só a câmera mais tensa de Kathryn como a atuação alucinada e alucinante de Jeremy Renner.E a partir daí que Guerra ao Terror se torna um filme que faz você pular da cadeira e ter todas as reações junto com os personagens.
No final, bem, no final eu me rendi. As duas últimas cenas são tão emblemáticas que eu sai do cinema com a certeza de que gosto tanto de filme de guerra porque também sou viciada nesse tipo de adrenalina. É inexplicável, não faz o menor sentido, e não tem nada de heróico nisso. Não é à toa que a fase “War is a drug” vem de um jornalista.
Torço para que Kathryn Bigelow leve o Oscar. Não só porque sou Anti-Avatar, como também porque ela fugiu dos caminhos das cineastas mulheres que adoram comédias românticas e dramas, mostrando que vê o mundo mais vermelho sangrento do que rosa. É bom saber que existem mulheres que pensam como eu.
High School Musical: O Desafio
fevereiro 3, 2010
Por Léo Franciso *
Mais de dois anos após o início do reality show que escolheu os oito protagonistas do primeiro longa nacional co-produzido pela Walt Disney Studios Motion Pictures Brasil, chega aos cinemas de todo o Brasil essa sexta-feira, dia 5, o musical High School Musical: O Desafio, produzido pela Total Filmes e com a participação da cantora Wanessa Camargo.
Dirigido por César Rodrigues (Uma professora maluquinha) e com o roteiro baseado no original High School Musical, de Peter Barsochini, a versão brasileira adaptada por Carol Castro conta a história de amor entre Olavo (Olavo Cavalheiro), o capitão do time de futebol da escola High School Brasil, os Lobos Guará, e Renata (Renata Ferreira), garota inteligente, tímida e reservada, que se apaixonam à primeira vista.
No primeiro dia do ano na escola todos descobrem que irá acontecer o Concurso de Música, na qual a banda vencedora irá abrir o show de uma ex-aluna que ficou famosa, a cantora Wanessa, que regressa ao colégio para conhecer e incentivar os novos talentos. A partir daí não é muito complicado imaginar o que acontecerá na história. Repleto de canções (nem todas originais) e números de dança, o filme segue a linha das versões norte-americanas e latinas, mas com toques nacionais e mostrando em poucas cenas o Rio de Janeiro como pano de fundo.
É claro que fazendo uma versão de uma franquia de sucesso como High School Musical, que surpreendeu até mesmo a Disney e virou um fenômeno mundial, comparações entre a versão original e a brasileira irão acontecer, mas a nacional não tenta copiar totalmente o roteiro e nem mesmo os personagens do original da versão americana. O filme traz personagens tipicamente brasileiros e, ainda por cima, mais “reais” – um exemplo é Paula (Paula Barbosa), que na versão nacional é uma menina mimada e egoísta que quer toda a atenção para ela e, diferentemente do original americano, o faz de maneira menos artificial.
Por ser um musical, claro que o ponto forte da produção deveria ser as coreografias, principalmente das grandes cenas (inicial e final), algo que não acontece. As coreografias são fracas e, comparadas com os clipes gravados durante a Seleção, vemos o quanto o elenco regrediu. Para ter uma idéia, basta comparar “Novo Ano Começou” e “Atuar, Dançar, Cantar” com a cena “What Time Is It” (High School Musical 2), para se notar a diferença gritante de falta de uma boa montagem coreográfica para as duas principais cenas do longa nacional. A melhor sequência musical é a da cena “Seguir o Sol”, interpretada por Renata e Bia (Beatriz Machado), na qual temos tomadas áreas mostrando realmente todos dançando, um quê que faltou em quase todas as outras cenas de danças. Outra cena que vale destacar é o sapateado entre Renata e Fellipe (Fellipe Guadanucci), quando eles estão estudando matemática – a melhor cena da protagonista Renata, que mostrou ter muito mais química com o irmão da vilã do que propriamente com o protagonista Olavo, que se destaca apenas nas cenas com os amigos do time de futebol.
As coreografias não são boas, mas pelo menos as músicas são. O filme conta com canções inéditas, versões das músicas latinas e até mesmo uma do High School Musical 2, que devem agradar aos fãs da franquia por resgatar a mesma essência dos filmes originais. Destaque para o dueto de Wanessa e Renata, que sugere uma relembrança das clássicas canções da Disney que tematizam a importância da amizade – uma canção certa que, no contexto da trama, perde a carga emotiva graças à presença de Wanessa Camargo, desencaixada em cena. Até porque uma canção crucial que fala tanto da importância da amizade deveria ser executada pela protagonista e uma de suas duas grandes companheiras (Bia ou Karol), não com uma famosa desconhecida que pareceu ter virado sua melhor amiga depois de uma ligeira conversa de menos de cinco minutos. Um desperdício de ocasião para se aproveitar o talento de Karol Candido, a participante da Seleção que mais se destacou no quesito voz.
Um dos pontos positivos da produção é a interação de todo o elenco e a garra pelo projeto que se nota na tela e, principalmente, nos bastidores. O elenco, como a própria Disney Brasil, é iniciante no cinema e por isso, não tem como impor comparações exigindo atuações perfeitas. Mas, sem qualquer sombra de dúvida, para uma primeira produção, o longa agrada e diverte quem entrar no espírito e simpatizar com a franquia que acumula muitos fãs no mundo inteiro.
Vale destacar que o personagem Felipe rouba a cena com facilidade, ao contrário das versões internacionais, na qual é a vilã que sempre recebe a luz do holofote. Falando no casal de irmãos, quem for ao cinema esperando um grande dueto, ao estilo “What I’ve Been Looking for”, “Bop To The Top”, “Fabulous”, “Humuhumunukunukuapua’a” e “I Want It All”, vai se decepcionar, pois a versão nacional ficou devendo o grande número entre os irmãos.
Mesmo com um número enorme de musicais teatrais fazendo sucesso nos palcos brasileiros desde 2000, High School Musical: O Desafio é o primeiro filme musical nacional a ser produzido na atualidade, mesmo sob a febre do gênero pelo mundo todo no cinema e até em séries de TV, como a série “Glee”. A primeira aposta da Disney no Brasil, ainda que com alguns defeitos, está longe de ser ruim e supera produções norte-americana do estúdio, como os atuais “Camp Rock” e “Programa de Proteção para Princesas”, mas não supera as continuações da série na qual se baseou.
High School Musical: O Desafio é uma pedida para crianças, adolescentes, os fãs tanto da franquia e do elenco ou para quem quiser se divertir durante 90 minutos nos cinemas com um filme que, além de trazer músicas animadas, mostra uma bela mensagem sobre a importância da amizade dos tempo de colégio.
*Léo Francisco é editor do Planeta Disney e escreveu esta crítica a convite do Cinemmarte.
Preciosa
janeiro 31, 2010
A história se passa em 1987, no bairro do Harlem, Nova York. Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe),a Preciosa do título, é uma adolescente de 16 anos. Negra, obesa e sofrendo uma série de privações em seu dia-a-dia, ela passa por todo o tipo de infortúnio. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada fisica e psicologicamente pela mãe (Mo’Nique), a jovem cresce irritada e sem qualquer tipo de amor.
O fato de ser pobre também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem uma filha (de seu próprio pai) apelidada de “Mongo”, por ser portadora de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez (novamente, do pai), ela é suspensa da escola. A sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para a adolescente uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação.
Eu tenho horror a cenas de estupros nos filmes. É algo que realmente me incomoda. Raros são os diretores que conseguem abordar o assunto sem serem explícitos - como Almodóvar fez com sensibilidade única em Fale com ela. Aqui, Daniels consegue mostrar em duas cenas todo o desespero de Preciosa ao ser violentada pelo pai. É um momento forte e marcante, e o diretor conseguiu ser brilhante ao não mostrar quase nada, mas dizer absolutamente tudo.
A direção de Daniels chama muito a atenção, e as cenas da imaginação de Preciosa é dão uma certa aliviada na dor extravasada pelo longa. Outro ponto fundamental é a atuação das atrizes Gabourey Sidibe e Mo’Nique. A estreante Gabourey é espontânea e não exagera na tristeza nem nas ilusões da sua personagem. Já Mo’Nique é visceral, e temos ódio dela desde a primeira cena. Ou seja, está perfeita no papel da mãe escrota, cretina e sem coração. Seus inúmeros prêmios de atriz coadjuvante são merecidos, e acredito que ela é uma das maiores barbadas do Oscar.
O longa é triste sim, melancólico, mas não chega a ser deprimente. Há um fio de esperança na trama, e a sensação de que os sonhos podem amenizar as dores. Talvez seja uma ilusão, especialmente quando temos consciência que a personagem é facilmente encontrada em qualquer esquina e sua história é muito real. De qualquer forma, ela nos ensina que, diante do poço, não precisamos nos jogar nele. Podemos tentar escapar e achar uma luz no final do túnel.
Preciosa é assim, honesto em suas intenções. Tão honesto, tão verdadeiro, tão sincero que se torna um filme acima da média.
Nine
janeiro 30, 2010
por Janaina Pereira
Em um passado não muito distante, os musicais eram a menina dos olhos do cinema hollywoodiano. Se no teatro eles mantiveram o seu valor, na telona foram perdendo prestígio até a volta triunfal com Moulin Rouge (2001), de Baz Luhrmman, indicado ao Oscar de melhor filme após 23 anos de ausência deste gênero na premiação.
Com o sucesso do longa junto ao público e à crítica, uma nova safra de musicais invadiu o cinema, com destaque para Chicago (2002), de Rob Marshall, vencedor de seis Oscars em 2003. O coreógrafo e diretor teatral acabou conquistando seu espaço como cineasta, e depois de filmar Memórias de uma gueixa (2005), assumiu a difícil missão de levar o musical Nine para as telas.
Nine chegou à Broadway nos anos 1980 como uma adaptação para os palcos de Oito e meio, o clássico filme autobiográfico de Federico Fellini, em que o diretor narra sua própria crise existencial e criativa. A peça foi premiada com o Tony®. Na versão cinematográfica, com música e letras de Maury Yeston e roteiro de Michael Tolkin e de Anthony Minghella (falecido em 2008 e a quem o filme é dedicado), a escolha do elenco foi um capítulo à parte.
Alguns atores consagrados fizeram testes de voz e dança para conquistar um papel no filme. E assim Nicole Kidman assumiu o lugar que seria de Catherine Zeta-Jones e que também foi disputado por Penélope Cruz, que acabou ficando com o personagem que seria de Renée Zellweger. Marion Cotillard fez teste para o papel que ficou com Judi Dench e assumiu outra função no elenco. A cantora Fergie ganhou a disputa com Katie Holmes e Demi Moore. E Kate Hudson venceu a briga com Annie Hataway e Sienna Miller. O protagonista, que seria Javier Barden, foi parar nas mãos de Daniel Day-Lewis. A única que sempre teve papel para ela foi Sophia Loren.
Com um elenco de estrelas e beldades premiadas – dos oito atores do elenco principal, apenas Kate Hudson e Fergie não ganharam o Oscar – Nine , o filme, prometia arrebatar público e crítica. Mas, pelo menos nos EUA, foi recebido como uma enorme decepção.
Com exceção da eterna Piaf Marion Cotillard, o restante do elenco foi massacrado. Acho que há um certo exagero nisso. De fato, o filme – em cartaz desde ontem – não empolga e, comparado à Chicago, é musicalmente inferior. Porém, tem seus méritos, e eles estão, justamente, na escolha acertada de alguns atores do estrelar elenco.
A história, mais que uma adaptação de Oito e meio, é uma homenagem à Fellini. Acompanhamos, nos anos 1960, o famoso cineasta Guido Contini (Daniel Day-Lewis) em meio à uma crise criativa. O quarentão tem um talento inegável, assim como um conhecido poder de sedução com as mulheres. Mas parece que tudo está dando errado para Contini.
Ele não consegue escrever seu próximo roteiro, e é pressionado por todos, especialmente pelas inúmeras mulheres que cercam sua vida: a esposa dedicada Luisa Contini (Marion Cotillard), a amante sensual Carla (Penélope Cruz), a bela estrela de cinema e musa Claudia (Nicole Kidman), a confidente figurinista Liliane (Judi Dench), a esfuziante jornalista de moda americana Stephanie (Kate Hudson), a prostituta da sua juventude Saraghina (Fergie) e a querida mãe já falecida (Sophia Loren).
Entre as lembranças e as situações vividas com essas mulheres surpreendentes, Guido busca inspiração e uma possível salvação em meio à queda livre. Nesse processo, o estúdio 5, da Cinecittà, em Roma, se ilumina com os desejos e os devaneios do cineasta, pontuado com números musicais dramáticos, muitas vezes monótonos, mas que mostram a épica crise de meia-idade de um artista.
Mais que um musical, Nine é um filme de atores. Fiquei muito impressionada com Daniel Day-Lewis, reconhecidamente um grande ator, mas que surpreende com a garra e a versatilidade das cenas em que canta. Altivo, carismático e charmoso, ele faz de seu Guido Contini um homem apaixonado e apaixonante, frágil e forte, herói e vilão. Day-Lewis achou o tom certo para o personagem e enche a tela com sua beleza singular.
Marion Cotillard, a aparentemente submissa Luisa Contini, está uma graça, com figurino e maquiagem inspirados na musa dos anos 1960, Audrey Hepburn, e atuação que lembra os trejeitos de Giulieta Masina, esposa de Federico Fellini. Linda, doce, sempre com uma lágrima no olhar, ela empresta sua delicadeza à uma personagem contida, cheia de paixão sufocada. Marion entra para o hall de grandes atrizes de sua geração, e se destaca pela voz afinada e os números musicais intensos. Sem dúvida, a melhor das atrizes em cena – e, à primeira vista, não a mais bela, o que prova que talento maior está na interpretação e não em ser um mero enfeite cinematográfico.
Judi Dench continua elegente como sempre. Difícil é acreditar que ela e Sophia Loren têm a mesma idade – 75 anos. Enquanto Judi está dignamente com suas rugas, a eterna diva Sophia disputa com Nicole Kidman quem tem mais botox na cara. A câmera foge de Sophia – ou vice-versa – e não há nenhum close na atriz, mas é perceptível os retoques faciais da italiana. Nada demais em fazer plástica, o problema é que fica muito visível que não queriam mostrar sua face retocada.
Nicole (à imagem e semelhança de Anita Ekberg em La doce vita), a gente já sabe, tem 42 anos na certidão de nascimento, porque no rosto tem 20. É um festival de botox que não acaba mais. Isso só prejudica a atriz, que perdeu a expressão facial há alguns filmes. Penélope Cruz ((à imagem e semelhança da jovem Sophia Loren), faz seu papel direitinho, tem uma grande cena de dança e só. Está bem menos bonita do que nos filmes do Almodóvar, o único que sabe valorizar a sensualidade da atriz.
Por último, mas não a última, está Kate Hudson. Seu papel é até bobinho, mas seu número musical é o melhor. Endiabrada, Kate solta a voz e o quadril e arrasa cantando a ótima Cinema Italiano. Até esta cena, Nine patina entre canções chorosas e ritmo arrastado. Quando Kate aparece, tudo muda. Ela está visivelmente feliz e se divertindo ao requebrar o esqueleto e jogar o cabelão de um lado para o outro. O figurino pop glamouroso, estilo Barbarella – personagem clássica de Jane Fonda em filme homônimo de 1968 – é uma atração por si só. Tudo bem que Barbarella foi exibido depois da época em que Nine se passa, mas aquele climão futurista dos anos 1960 está embutido na cena musical de Kate Hudson (que sim, destoa dos outros números por ser super alto astral). A atriz é a maior surpresa do filme: linda, loira, sexy e estonteante.
Com seus altos e baixos, Nine é razoável, embora cheio de boas intenções. Vai desagradar a muitos, agradar a poucos e será um típico caso de amor e ódio cinematográfico: quem gostar vai amar ardentemente, quem não gostar vai odiar com todo fervor.
Uma dica: fique para os créditos finais e acompanhe a singela homenagem que Rob Marshall faz ao cinema e aos musicais.
Assista ao trailer de Nine.
Zumbilândia
janeiro 29, 2010
A história gira em torno de alguns americanos sobreviventes que tentam sobreviver em um mundo infestado de zumbis sedentos de sangue. Isso mesmo! Os EUA viraram uma terra de ninguém, ou melhor, uma terra de zumbis.
Poucos conseguem escapar da fúria dos seres bizarros, e um deles é o nerd Columbus (Jesse Eisenberg), que costuma fugir de tudo aquilo que o assusta. Em uma de suas fugas ele conhece o figuraça Tallahassee (Woody Harrelson), que não tem medo de nada.
No mundo repleto de zumbis, os dois são a dupla perfeita de sobreviventes. E tentando buscar um utópico lugar seguro, cruzam pelo caminho de duas irmãs trapaceiras ( o enfeite Emma Stone e seus brilhantes olhos azuis e a eterna – e crescida – Miss Sunshine Abigail Breslin).
Entre confusões, fugas e até um encontro inusitado com o ator Bill Murray – na melhor sequência do filme – eles vão se livrando dos zumbis que atravessam suas vidas. Mas, é claro, haverá um confronto final.
Zumbilândia pode virar série, franquia, ou ficar por aqui mesmo. É certo que garante diversão para todas as idades e dá uma força aos meninos nerds, atualmente os maiores galãs do cinema. Pois é, não disse que era um filme bizarro?
A todo volume
janeiro 28, 2010
por Janaina Pereira
Rock and roll na veia. Assim é o poderoso A Todo Volume, documentário de David Guggenheim (de Uma verdade incoveniente) com os guitarristas Jack White, Jimmy Page e The Edge (foto), que finalmente entra em circuito nesta sexta, dia 29, ainda que apenas em São Paulo. Sem enrolações, o filme aborda a relação passional entre os músicos e sua musa maior, a guitarra.
Guggenheim não engana o público: é um documentário para os roqueiros. E o cineasta não decepciona. Acompanhamos a trajetória de White (do The White Stripes), Page (do Led Zeppelling) e The Edge (do U2) compartilhando com eles de seus primeiros passos na música, os acordes e composições mais marcantes, os momentos especiais na carreira e toda a magia que envolve o guitarrista e seu instrumento de trabalho.
Entre as cenas individuais vemos o emblemático encontro dos três, trocando experiências e confissões. O filme acaba, obviamente, com uma grande jam session. Tudo isso em altíssimo som, como um bom rock deve ser ouvido.
A Todo Volume é pura adrenalina, imperdível para os fãs não só de Jack White, The Edge e do lendário Jimmy Page, como também para os apaixonados por música. No final das contas… it´s only rock ‘n roll but I like it.
Invictus
janeiro 27, 2010
por Janaina Pereira
Clint Eastwood é um dos meus diretores preferidos. Não lembro de nenhum filme dele que eu não tenha gostado. Fazendo comparações, prefiro Sobre meninos e lobos a Menina de Ouro, por exemplo. Mas gosto de todas as produções que ele dirigiu. Assisti seu mais recente filme, Invictus, que estreia sexta dia 29, cheia de expectativas. E ele manteve seu alto grau de popularidade comigo. Mais uma vez, Clint faz um filme sincero, sensível, com aquele jeitinho doce que ele tem para dirigir grandes histórias – e fazer delas grandes filmes.
Para dar um charme a mais ao filme, ele retoma a parceria com um dos maiores atores americanos de todos os tempos, Morgan Freeman – juntos eles fizeram Os Imperdoáveis e o já citado Menina de Ouro. Só que em Invictus Freeman é simplesmente Nelson Mandela. Preciso dizer mais alguma coisa?
Pois é, mas eu vou falar. O filme retrata o início do governo de Mandela na África do Sul. Você se lembra como era? Eu lembro bem: um país dividido entre negros e brancos, onde havia ainda muita segregação racial e uma fome de vingança pelos que estavam oprimidos durante o apartheid. Para diminuir essa diferença, Mandela viu uma grande oportunidade no rugby, esporte praticado no país.
Com a proximidade da Copa do Mundo de rugby, que seria disputada por lá, o presidente procurou se aproximar do jovem capitão da seleção africana, o loiríssmo François (Matt Damon, praticamente o sósia do personagem de desenho animado He-man). O objetivo de Mandela era encorajar os jogadores e fazer com que o time tivesse chances reais de ganhar o torneio – e aí Clint dá um olhar crítico bastante sutil para a dobradinha política e esporte, afinal, sabemos bem o quanto políticos se aproveitam do esporte para encobrir podres e situações extremistas, como a ditadura.
Para dar força ao time, Mandela usa o texto Invictuous, de William Ernest Henley, que ele mesmo lia no período em que ficou preso. O poema tem frase forte no final: ”Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma”. Impossível não absorver a mensagem embutida nestas palavras.
O ponto alto do longa é a parte final, com o jogo decisivo da seleção africana na Copa. Eastwood mostra todo seu potencial de diretor fazendo cenas primorosas, usando a câmera lenta e o som como aliados. O que se vê na tela é uma verdadeira batalha, onde homens dão suas vidas – e suas almas – para, mais do que vencer um jogo, reconstruir um país. Lindo, emocionante e uma aula de direção.
Claro que nenhuma cena seria tão grandiosa se os dois atores principais não tivessem nascido para os papéis que representam em Invictus. Morgan Freeman como Nelson Mandela – ele foi escolhido pessoalmente pelo presidente para interpretá-lo – é impecável, e por vezes confundimos o ator com o próprio Mandela. Já o capitão François Pienaar é interpretado por um Matt Damon forte na aparência, como o personagem exige, e carregado de emoção numa atuação inesquecível.
Vale resaltar que Mandela não é santo – embora a mídia tentasse, por muitos anos, vender essa imagem do presidente africano. E Clint, com sua habitual elegância, dá as dicas do comportamento contraditório de um personagem mundialmente popular: as (poucas) cenas familiares e um Mandela xavequeiro mostram que ele não é flor que se cheire. Nada que comprometa a imagem carismática do presidente, mas dá uma arranhadinha básica. Ou, como diz um de seus seguranças no filme, “ele (Mandela) também é gente e tem problemas de gente.”
Os atores, o diretor e o filme estão concorrendo a vários prêmios na temporada pré-Oscar, mas infelizmente não levaram muita coisa até agora. Freeman ganhou alguns merecidos prêmios como ator, mas na reta final parece que Invictus está implodindo nas premiações. Não se deixe levar por isso: o filme merece ser visto e apreciado como espetáculo cinematográfico que é.
E Clint, ah, Clint é um diretor de milhares de recursos, um cavalheiro atrás das câmeras, um cineasta que brinca com as emoções do espectador como poucas vezes vi no cinema. Vida longa para Clint Eastwood e seus filmes extraordinários.
Assista ao trailer de Invictus.
Tyson
janeiro 26, 2010
por Janaina Pereira
Quando eu era criança, lembro que meu pai, fã incondicional de boxe, dizia: “Hoje à noite tem luta do Tyson, é bom que ele acaba logo com o outro lutador e eu vou dormir mais cedo”. No dia seguinte, eu perguntava ao meu pai como tinha sito a luta e ele me respondia: “Acabou em menos de um minuto.” Era sempre assim: com Tyson no ringue, não tinha para ninguém.
Mike Tyson foi um dos maiores pugilistas da história do boxe. Para as novas gerações, o lutador talvez seja conhecido apenas como um cara arruaceiro, sempre envolvido em confusões. Para quem tem mais de 30 anos, Tyson é lembrado como um fenômeno sem precedentes no boxe, que acabou sendo encurralado pelo seu próprio sucesso.
Impossível imaginar que um dos atletas mais importantes do mundo teria sua imagem vinculada a tantas coisas negativas. De estupro a arrancar a orelha dos adversários, Tyson esteve envolvido em confusões que lhe renderam alguns anos de cadeia e um fim de carreira insólito. Nada disso, porém, tira o brilho daquele que acabava uma luta em poucos segundos, que nocauteava sem nenhum pudor.
É este homem, um lutador dentro e fora do ringue, que o documentário Tyson, de James Toback, que chega aos cinemas de São Paulo nesta sexta, 29, consegue mostrar com grande sinceridade. Baseado apenas nas palavras de Mike Tyson – ele é o único a dar depoimento, narrar e comentar todos os fatos importantes de sua vida atribulada – o filme apresenta aos mais jovens quem foi o lutador que estraçalhava adversários, e dá a oportunidade aos mais velhos de reversuas lutas inesquecíveis. Mas, para todo o público, o sentimento é o mesmo: o documentário é a chance de conhecer o homem que existe por trás da lenda.
Tyson, o documentário, não encobre os podres de Tyson, o homem. Estão lá todas as polêmicas, com direito a um xingamento para a tal moça que foi para o quarto dele de madrugada e, na hora H, desistiu do sexo, acusando o lutador de estupro e colocando-o na cadeia.
Sempre achei essa história mal contada, afinal, a mesma mídia americana que tratava Tyson como marginal, apoiava o também atleta O.J. Simpson, que matou a mulher, fugiu sob os holofotes da TV e foi absolvido. Mas, apesar dessa incoerência com que sempre foi tratado em seu País – parece que Tyson é mais respeitado fora do que dentro dos EUA – ele não faz mea culpa. Muito pelo contrário.
Tyson assume no documentário seus erros, e demonstra grande arrependimento por alguns de seus atos. Não pede desculpas, mas deixa claro que não se perdoa. Este é o ponto que causa forte tristeza para quem vê o filme: o espectador descobre que um homem tão importante para o esporte se julga inferior aos outros.
Tyson é o tipo de filme que mostra um herói sem máscaras, sem disfarces e totalmente fragilizado pelos erros que cometeu. Ao assumir seu sentimento de culpa, Mike Tyson esquece, por um momento, que por mais que ele tenha sido imbatível um dia, ele é um ser humano como outro qualquer, e errar faz parte do aprendizado.
E não importa quantas vezes ele errou, aquele homem que sabia nocautear com louvor continua lá, de alguma forma. Essa é a essência de Tyson, o documentário que mostra um homem golpeado pela vida, mas que ainda permanece de pé.
Assista ao trailer de Tyson.
Amor sem Escalas
janeiro 22, 2010
por Janaina Pereira
Um dos filmes mais comentados dos últimos meses, chega às telas nesta sexta, 22, Amor sem Escalas (Up in the air), novo e aclamado trabalho de Jason Reitman, o premiado diretor de Juno. Não se espante com o filme à primeira vista: ele demorou bastante a me conquistar. Mas, no final, eu estava completamente envolvida com a trama que aborda a solidão e o vazio das relações pelo olhar masculino.
Baseado no livro de Walter Kirn, a história gira em torno de Ryan Bingham (George Clooney), um homem com uma profissão bem peculiar: ele é pago para viajar pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas em crise. Ryan não parece se incomodar com o trabalho hostil, pois se contenta com a vida que ele considera perfeita.
Desapegado de tudo e de todos, ele passa a maior parte do tempo entre aeroportos, hotéis e carros alugados. De vez em quando faz algumas palestras em que conta seu case ‘a mochila vazia’. A razão de abordar o tema é porque Ryan consegue carregar tudo o que precisa em uma mala de mão, é membro de elite de todos os programas de fidelidade existentes e está próximo de atingir seu maior objetivo: 10 milhões de milhas voadas.
Se para os outros essa é uma vida solitária e vazia, para ele tudo faz sentido. Ryan tem uma casa em que passa apenas alguns dias por ano; duas irmãs que mal vê; relacionamentos esporádicos que considera reais. Nada mais importa, essa foi sua escolha e ele nunca questiona isso.
Mas quando seu chefe, inspirado pela eficiente e novata funcionária Nathalie (Anna Kendrick) ameaça mantê-lo permanentemente na sede da empresa, Ryan se assusta. Ao mesmo tempo, ele se envolve com Alex (Vera Farmiga), uma mulher com o mesmo estilo de vida que o seu e, pela primeira vez, ele vê a perspectiva de ficar em terra firme, contemplando o que realmente pode significar ter um lar.
Alguns pontos chaves tornam Amor sem Escalas interessante. A relação de Ryan e Alex é cercada de detalhes que se revelam uma grande surpresa perto do final do filme. O modo como Ryan lida com a tecnologia que está ocupando seu lugar no trabalho também chama a atenção. A frieza atual das relações humanas – evidenciada tanto na forma como Ryan trata sua família como na demissão dos funcionários – é outra questão abordada. E o embate entre Ryan e Nathalie sobre casamento e comportamento com seus parceiros é brilhante.
Todos estes pontos levam ao mesmo caminho: o excelente roteiro que, em alguns momentos, parece que vai cair no clichê ’só o amor constrói’ mas dá uma rasteira no espectador, surpreendendo especialmente nos instantes finais. E diante de um roteiro tão primoroso, o elenco abraçou cada diálogo com vontade, sobressaindo em boas atuações. George Clooney é ele mesmo, charmoso, carismático e sedutor, o solteirão convicto capaz de levar a vida que quiser. Vera Farmiga e Anna Kendrick também correspondem ao perfil de suas personagens; uma é totalmente despojada, a outra, convicta de suas intenções.
Corajoso e autêntico, Amor sem Escalas não cai em ciladas para agradar ao público. Seu protagonista é um cara que não pensa em casar, nem em ter filhos muito menos em assumir um compromisso real (de acordo com os padrões da sociedade), porque o real dele é cada um na sua. Ele não se preocupa em comprar uma casa, ter bens, nada. Ele não quer se comprometer e não faz a menor questão que as pessoas gostem dele. E todo mundo questiona esse jeito tão peculiar, aparentemente solitário, mas que foi uma escolha dele. E a vida é feita de escolhas. Simples assim.
Veja o trailer de Amor sem Escalas.
Chéri
janeiro 21, 2010
por Janaina Pereira
A beleza pode fazer muito por uma mulher, porém, mais cedo ou mais tarde, vai cobrar seu preço. Aproveitar os belos traços da juventude é uma dádiva, mas envelhecer faz parte, e com as rugas vem uma infinidade de sentimentos até então inexplorados.
O amor entre uma belíssima mulher madura e um rapaz mais jovem, que se tornou um clichê cinematográfico, ganha os contornos sombrios da velhice que atinge em cheio esta mulher. E não é qualquer mulher, é aquela que foi – e ainda é – uma das maiores referências de belezas hollywoodianas: Michelle Pfeiffer.
Cabe a atriz, hoje com 51 anos, dar vida à personagem principal de Chéri, o drama de Stephen Frears – que dirigiu Michelle no ótimo Ligações Perigosas – baseado no livro da renomada escritora francesa Colette, que chega às telas amanhã.
Situado na exuberante Paris antes da Primeira Guerra Mundial, Chéri conta a história da relação amorosa entre a linda cortesã aposentada Léa (Michelle Pfeiffer) e Fred, apelidado de Chéri (Rupert Friend), filho de sua antiga companheira de profissão e rival, Madame Peloux (Kathy Bates).
Léa educa o imaturo e mimado garoto nas artes do amor, mas depois de seis anos Madame Peloux planeja secretamente um casamento entre Chéri e Edmée (Felicity Jones), filha de outra rica cortesã, Marie Laure (Iben Hjejle).
Léa parece aceitar tudo mas sileciosamente percebe que, se a idade fez com que ela fosse fundamental para o amadurecimento sentimental de Chéri, são os sinais da velhice que tiraram dela toda e qualquer chance de viver um grande amor.
Ao perceber que por sua cama, enquanto jovem, tantos homens passaram, e agora na velhice ela está só, Léa se confronta com algo que o espelho não pode revelar: mais do que passar o tempo com Chéri, ela o amou de verdade, e isso ninguém poderá mudar. Enquanto isso, o rapaz tenta se acostumar com a idéia de que pode se casar e viver à sombra do sentimento avassalador por Léa.
O grande trunfo do filme está em Michelle Pfeiffer, linda, loira e com a dignidade mantida em rugas que mostram o passar dos anos, mas que a mantém única na tela. Sua beleza perturbadora ajuda a conduzir os caminhos da cortesã Léa, uma mulher que viveu apoiada no belo e que já não tem mais nada em que se apoiar, a não ser sua experiência de vida. Michelle empresta o rosto que Léa merece ter, a beleza amarga pelo passar dos anos, mas mantida apesar do avanço da idade.
Como sempre, Frears se preocupa com cada detalhe do filme: fotografia, direção de arte, trilha sonora e toda parte técnica são um luxo. Vale ressaltar ainda a participação da sempre talentosa Kathy Bates como a mãe de Chéri.
Para as mulheres, Chéri soa como um tapa sem luva de pelica, uma forma de mostrar que o tempo passa e o amor vai com ele, sem dó nem piedade. Seria mais fácil se a gente não se importasse com as rugas que ganhamos com os anos, e nos preocupássemos apenas com o amor que sentimos por alguém.
Aliás, amar não deveria ser complicado, mas como o filme enfoca muito bem, a gente faz muita questão que seja.








